Relação entre EUA e Arábia Saudita está sob revisão apesar de imunidade sobre Khashoggi, diz Blinken

Secretário de Estado norte-americano Antony Blinken

Por Maya Gebeily

DOHA (Reuters) - A relação dos Estados Unidos com a Arábia Saudita ainda está sob revisão, apesar de uma decisão do governo Biden de que o príncipe herdeiro saudita tem imunidade em um processo pelo assassinato de Jamal Khashoggi, disse o secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, nesta terça-feira.

Khashoggi, um jornalista saudita que vivia nos Estados Unidos, foi morto e esquartejado em 2018 por agentes sauditas no consulado do reino em Istambul, em uma operação que a inteligência dos EUA acredita ter sido ordenada pelo príncipe herdeiro Mohammed bin Salman.

O príncipe negou ter ordenado o assassinato, o que prejudicou as relações entre os dois países.

A noiva de Khashoggi processou o príncipe em tribunal dos EUA, mas em uma decisão na semana passada, os advogados do Departamento de Justiça dos EUA concluíram que o príncipe tinha imunidade por ter sido nomeado primeiro-ministro do governo saudita em setembro.

"A opinião que fornecemos não fala de forma alguma sobre os méritos do caso ou o status do relacionamento bilateral", disse Blinken.

"Nossa revisão dessa relação está em andamento", afirmou ele a repórteres em uma entrevista coletiva no Catar após um diálogo estratégico anual EUA-Catar. Blinken também disse que não há planos para o príncipe visitar os Estados Unidos.

A decisão do governo Biden na semana passada ocorreu em um momento de tensões crescentes entre Washington e Riad sobre o fornecimento de energia, depois que o grupo petrolífero Opep+ decidiu em sua última reunião cortar as metas de produção apesar das objeções dos EUA.