Relações militares com EUA não estão vinculadas a governos, e Forças Armadas são organismos de Estado, diz ministro

Isabella Macedo
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Foto: Jorge William / Agência O Globo
Foto: Jorge William / Agência O Globo

O ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, afirmou nesta sexta-feira que as relações entre as Forças Armadas brasileiras e as dos Estados Unidos são de longa data e perpassam os governos que estão no poder atualmente. O ministro foi questionado sobre a frase do presidente Jair Bolsonaro, que afirmou nesta semana que diplomacia não é suficiente para "fazer frente a tudo isso", em uma referência indireta ao presidente eleito dos EUA, Joe Biden.

O ministro afirmou que não cabe a ele ou aos comandantes das Forças Armadas comentarem declarações do presidente e reforçou que a relação das organizações dos dois países é estratégica.

— Nós temos projetos estratégicos e programas com os Estado Unidos, assim como outros países, muito importantes. Temos acordo de cooperação com os EUA que perpassam os governos. As Forças Armadas de ambos os países são organismos de estado — disse Azevedo e Silva.

Bolsonaro é um dos poucos chefes de Estado do mundo que ainda não reconheceu a vitória de Biden sobre Donald Trump, para quem torcia publicamente. No primeiro debate entre Biden e Trump, em 30 de setembro, o então candidato democrata defendeu que os Estados Unidos deveriam assumir papel de liderança na questão climática e citou “consequências econômicas significativas” ao Brasil caso a floresta Amazônica não parasse de ser devastada.

Azevedo e Silva e os comandantes das Forças Armadas, o general Edson Leal Pujol (Exército), Ilques Barbosa (Marinha) e Antonio Carlos Bermudez (Força Aérea) participaram nessa manha do Seminário de Defesa Nacional, onde apresentaram os planos das Forças Armadas para os próximos anos.

O ministro também foi perguntado sobre um possível constrangimento ao Exército e às Forças Armadas a frase de Bolsonaro teria levado. Ele novamente evitou confrontar a declaração de Bolsonaro e disse que estão “levando a vida normal”.

— Para mim foi uma força de expressão aquilo ali. Já falei, ministro não vai comentar declaração de presidente. Estamos levando nossa vida normal, estamos seguindo dentro dos nossos planejamentos estratégicos, se limitou a dizer.