Relatório da PM liga pisoteamento de jovens em baile funk a ação policial

Baile funk na favela Paraisópolis uma semana após a tragédia

SÃO PAULO — A morte de nove jovens pisoteados em Paraisópolis, em dezembro de 2019, durante um baile funk foi consequência da ação policial realizada naquela madrugada, segundo relatório da Corregedoria da Polícia Militar de São Paulo. A informação é do jornal "Folha de S.Paulo".

No documento, que foi anexado ao inquérito, a Corregedoria da Polícia Militar entendeu que a causa da morte dos jovens foi a ação dos 31 policiais militares na noite da tragédia. Contudo, a Corregedoria não viu culpa dos oficiais. Segundo o relatório, "houve excludente de ilicitude da legítima defesa própria e de terceiros".

O relatório foi a base do pedido de arquivamento do inquérito feito pela Corregedoria em fevereiro.

A tragédia ocorreu na madrugada do dia 1º de dezembro, quando oficiais do 16º Batalhão da Polícia Militar interromperam o Baile da DZ7 e encurralaram uma multidão em dois becos da favela. Imagens de câmeras e celulares mostraram os agentes agredindo as pessoas indiscriminadamente.

Na versão policial, os policiais entraram no baile após uma moto que estava sendo perseguida se esconder entre a multidão enquanto atiravam nos policiais. No relatório, a confusão teria começado após a chegada de reforços.

"Neste momento há um tumulto generalizado naquele local, assim iniciando uma evasão em massa. Nesta ocasião, por falta de conhecimento do local (geografia), bem como interesse em fugir daquela autoridade pública, muitas pessoas optaram por adentrar a uma viela (Viela do Louro) existente na Rua Emest Renan, entre as ruas Herbert Spencer e RodolfLotze, onde houve o pisoteamento e aglomeração”, diz o documento, segundo a "Folha de S.Paulo".

Um mês antes da tragédia da DZ7, o sargento da PM Ronaldo Ruas, de 52 anos, foi morto por traficantes enquanto participava de uma operação na favela de Paraisópolis. Ruas pertencia à Força Tática do 16º Batalhão, grupo responsável pela ação que resultou nas mortes do baile funk. Desde a morte do sargento, a PM decidiu reforçar o policiamento na comunidade, o que aumentou a tensão no local.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública, após pedido do Ministério Público, novas apurações estão sendo realizadas no inquérito policial militar em andamento.

Apenas após essa etapa o inquérito será remetido à Justiça Militar e ao Ministério Público.

"Todas as circunstâncias relativas aos fatos, incluindo as responsabilidades civis, também apuradas por meio de inquérito conduzido pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP)", afirmou a secretaria em comunicado.