Relatório dos EUA diz que centenas de pessoas foram detidas ou estão desaparecidas em Kherson

Enterro de morador em Kherson, na Ucrânia

Por Daphne Psaledakis

WASHINGTON (Reuters) - Centenas de pessoas foram detidas ou estão desaparecidas na região ucraniana de Kherson, que esteve sob controle russo durante boa parte deste ano, e dezenas podem ter sido torturadas, concluíram pesquisadores da Universidade de Yale em um relatório apoiado pelo Departamento de Estado norte-americano.

"A Rússia precisa suspender essas operações e retirar suas forças para encerrar uma guerra desnecessária que não pode e não irá vencer -- não importa o quão deploráveis e desesperadas são suas táticas", afirmou o Departamento de Estado em nota acompanhando o relatório.

O documento, visto pela Reuters antes de sua publicação nesta sexta-feira, registra detenções e desaparecimentos de 226 pessoas em Kherson entre março e outubro, um quarto das quais foram supostamente torturadas e cinco que morreram sob custódia ou pouco depois.

Na semana passada, a Rússia retirou suas tropas de um bolsão na margem oeste do Rio Dnipro na Ucrânia, região que inclui Kherson, a única capital regional que Moscou havia capturado desde a invasão ao país vizinho, em fevereiro.

O Laboratório de Pesquisa Humanitária na Escola de Saúde Pública de Yale que produziu o relatório é um parceiro do programa financiado pelo Departamento de Estado chamado de Observatório de Conflitos, lançado em maio para capturar e analisar evidências de crimes de guerra e outras possíveis atrocidades perpetradas pela Rússia na Ucrânia.

A Rússia nega que suas tropas tenham atacado civis ou cometido atrocidades.

O diretor executivo do laboratório, Nathaniel Raymond, disse que o relatório corrobora alertas dos Estados Unidos de antes do conflito sobre o uso de listas de captura e assassinato pelos russos contra civis.

"Essa é a prova mais forte de que isso está acontecendo", disse Raymond.

(Reportagem de Daphne Psaledakis)