Relatório do Ministério Público conclui que Volks teve coloboração 'persistente e consistente' com a ditadura

Sérgio Roxo
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SÃO PAULO - O relatório final das investigações realizadas pelos Ministérios Públicos Federal (MPF), do Trabalho (MPT) e do Estado de São Paulo (MPE) concluiu que houve uma "persistente e consistente colaboração ativa da Volkswagen com o regime militar" brasileiro (1964-1985). Ainda de acordo com o documento, a montadora alemã "demonstrou vontade de participar do sistema repressivo, sabendo que submetia seus funcionários a risco de prisões ilegais e tortura".

O texto foi divulgado nesta quarta-feira, data em que o golpe militar completa 57 anos. Em setembro do ano passado, a Volkswagen aceitou firmar um termo de ajustamento de conduta com o MPF, MPT e MPE e destinar R$ 36,3 milhões a ex-funcionários e para iniciativas de promoção de direitos humanos. O acordo tinha o objetivo de evitar responsabilizações judiciais pela sua coloboração com a repressão.

Apesar do acordo, o relatório, oriundo de inquéritos instaurados em 2015, foi concluído. O documento teve coloboração de dois pesquisadores externos. O MPF e MPE contrataram o cientista político Guaracy Mingardi, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), a Volkswagen na Alemanha, o professor Christopher Kopper.

"Os fatos até aqui reportados demonstram que a colaboração da empresa com a VW não foi eventual ou fruto de pressões insuportáveis. Ao contrário, está claro que a Volkswagen estabeleceu por disposição própria uma intensa relação de contribuição com os órgãos da repressão política, muito além dos limites da fábrica", afirma o relatório.