Relatório de rádios é desespero e incompetência de Bolsonaro, diz Lula

*ARQUIVO* São Paulo SP 23.10.2022. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). (Foto: Jardiel Carvalho/Folhapress)
*ARQUIVO* São Paulo SP 23.10.2022. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). (Foto: Jardiel Carvalho/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A alegação de que houve irregularidade nas inserções de propaganda política em rádios é uma manifestação de desequilíbrio e incompetência do presidente Jair Bolsonaro (PL), afirmou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nesta quinta-feira (27).

"Esse negócio da rádio é uma coisa da incompetência da equipe dele. Nós não temos nada a ver com isso. Tentar criar uma confusão por conta disso é porque ele está, do ponto de vista psicológico, um pouco desestruturado. A campanha está chegando [ao fim], e ele percebe que, finalmente, tem possibilidade de perder estas eleições", disse o petista.

As declarações foram dadas em sabatina de Correio Braziliense, TV Brasília e Rádio Clube.

Lula afirmou também que não se pode aceitar a discussão sobre o adiamento das eleições, que vem sendo levantada por bolsonaristas, porque tal proposta precisaria de uma emenda à Constituição. "Vai ser votado quando, no ano que vem?", questionou. "Não pode ser sério alguém falar em adiamento das eleições."

"As eleições serão no domingo, todo mundo está preparado para votar", afirmou o candidato. Os eleitores, segundo ele, estão decididos, e as campanhas, atrás dos indecisos. "No restante, é o direito de chorar, de espernear, de quem está percebendo que vai perder as eleições."

Bolsonaro pretende usar a suposta supressão de inserções de propaganda em rádios do Norte e do Nordeste para colocar em xeque a legitimidade das eleições caso seja derrotado. O relatório que embasa a denúncia, trazida a público na segunda-feira (24), tem diversas fragilidades.

Em um primeiro momento, aliados do presidente disseram que ele teve 154 mil inserções de rádio a menos do que deveria ao longo de duas semanas do segundo turno. Instada por Moraes a detalhar as alegações, a campanha especificou apenas oito emissoras de dois estados e enviou dados brutos de outras rádios.

Além disso, a modalidade de transmissão usada pela empresa responsável pelo monitoramento foi o streaming, em que a veiculação da propaganda política não é obrigatória.

As emissoras já começaram a contestar os dados do levantamento. Uma das rádios afirma que o PL deixou de entregar as inserções durante um período, e por isso elas não foram veiculadas.

O presidente do TSE, Alexandre de Moraes, rejeitou, nesta quarta-feira (26), a ação apresentada pela campanha, destacou a ausência de provas e disse que a empresa responsável pelo levantamento não é especializada em auditoria.

O ministro ainda apontou possível "cometimento de crime eleitoral com a finalidade de tumultuar o segundo turno do pleito em sua última semana" e mandou o caso para ser avaliado dentro do inquérito das milícias digitais, que é relatado por ele mesmo no STF (Supremo Tribunal Federal).

A campanha de Bolsonaro avalia que o episódio permite que o presidente volte a se apresentar como candidato antissistema e perseguido pelo Judiciário.

À noite, o presidente prometeu recorrer até o fim e disse que seu partido deve contratar uma terceira empresa de consultoria para analisar os casos.