Relator da CPI da Covid diz que integrantes do 'gabinete paralelo' serão acusados de crime comum

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BRASÍLIA - O relator da CPI da Covid, senador Renan Calheiros (MDB-AL), afirmou na sessão desta quinta-feira que pretende responsabilizar os integrantes do chamado "gabinete paralelo", ou seja, pessoas que aconselhavam o presidente Jair Bolsonaro no enfrentamento da pandemia, à margem do Ministério da Saúde. O grupo seria formado por médicos e atores políticos que defendem a utilização de remédios sem eficácia para a Covid-19, e se posicionavam contra a vacinação em massa da população.

— Eu pretendo, como relator, posso até não aprovar nesta comissão parlamentar de inquérito, responsabilizar por crime comum todos os membros do gabinete paralelo pela maldade que fizeram contra o Brasil ao prescreverem remédios ineficazes, ao estabelecerem prioridades para gasto orçamentário, para execução de gasto público criminosamente — disse Renan.

O relator deu essa informação após o senador Marcos Rogério (DEM-RO) citar uma reportagem jornalística que teria tido acesso ao relatório de Renan. O relator disse que fez declarações públicas de que se esforçará para entregar o relatório na segunda metade de setembro, mas que não há nenhum texto, nem mesmo um pré-relatório, pronto. Foi quando disse que pretende responsabilizar o gabinete paralelo.

Renan não citou nomes, mas CPI apura o envolvimento de algumas pessoas. Algumas delas já foram ouvidas pela comissão, como o deputado Osmar Terra (MDB-RS), a médica Nise Yamaguchi e o empresário Carlos Wizard. Em comum, eles e outros possíveis integrantes do gabinete paralelo defendem ou defenderam o uso da cloroquina contra a Covid-19, mesmo não havendo comprovação científica da sua eficácia.

Em 8 de setembro do ano passado, em reunião no Planalto, Bolsonaro recebeu de médicos defensores da cloroquina a sugestão de criar um 'gabinete das sombras' para também participar das discussões sobre vacinas. O virologista Paolo Zanotto, que chegou a colocar em dúvida a eficácia e necessidade de imunizantes contra a Covid-19, informou a Bolsonaro que encaminhou a ideia do 'shadow board' ou 'shadow cabinet' ao então assessor especial da Presidência, Arthur Weintraub. O evento foi organizado por Osmar Terra. Nise Yamaguchi também estava presente.

— É como se fosse um 'shadow cabinet' (gabinete das sombras, em tradução literal), esses indivíduos não precisam ser expostos, digamos assim, à popularidade — disse Zanotto ao presidente na época.

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