Relator indica idade mínima de 55 anos para policiais e posterior vinculação com militares

BRASÍLIA (Reuters) - Poucas horas depois de apresentar um texto em reunião com o presidente Michel Temer e deputados governistas com idade mínima de aposentadoria de 60 anos para policiais, o relator da reforma da Previdência disse no final da tarde desta terça-feira que essa idade pode ser inicialmente 55 anos, para ser depois vinculada ao que ficar estabelecido para os militares.

    "Talvez eles não tenham regra de transição... talvez eles vão direto para os 55", disse o deputado Arthur Oliveira Maia (PPS-BA) em rápida conversa com jornalistas.

    A declaração do deputado ocorreu após uma reunião com representantes e parlamentares ligados à categoria das forças de segurança, e depois de uma tensa tentativa de invasão da Câmara dos Deputados nesta tarde por parte de policiais que protestavam contra a reforma da Previdência, ato que resultou em quebradeira e motivou o disparo de bombas de efeito moral dentro do prédio do Congresso Nacional.

    Ao apresentar o esboço de seu parecer em reunião no Palácio da Alvorada, nesta manhã, Oliveira Maia propôs aposentadoria para policiais aos 60 anos, cinco a menos da idade mínima geral.

    Agora, o deputado disse que ainda estão sendo feitos ajustes e que está concluindo seu texto, mas considera a possibilidade de reduzir a idade mínima para 55 anos e depois vinculá-la à aposentadoria dos militares. O governo ainda deve enviar uma proposta para tratar desse grupo: militares, policiais militares e bombeiros militares.

    "Estamos definindo aqui são duas coisas. Primeiro, buscando mecanismos que permitam  que o policial fique mais tempo na polícia, tipo aumentar o tempo de contribuição em relação ao que eles têm hoje", disse Oliveira Maia de tarde na Câmara.

    "Segundo, estabelecer desde logo uma idade mínima", continuou. "Terceiro, buscar uma equiparação, uma vinculação ou uma semelhança... alguma coisa que a idade permanente deles fique dentro de um determinado período... mais ou menos nos parâmetros daquilo que será feito para os militares."

O relator fez questão de desvincular sua abertura para essas mudanças do tumulto ocorrido pouco antes no Congresso.

“Isso não tem nada a ver com os vândalos que depredaram o Congresso Nacional”, afirmou, acrescentando que também não se pode condenar a categoria.

(Reportagem de Maria Carolina Marcello)