Relatório da PF mostra que Bolsonaro usou boatos para atacar sistema eleitoral

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  • Em depoimentos, participantes admitiram não checarem o conteúdo veiculado em lives

  • Transmissão ao vivo é feita semanalmente por Bolsonaro a seus apoiadores

  • Desinformação sobre urnas é recorrente nas falas do presidente

Em diversos momentos o presidente Jair Bolsonaro (PL) coloca em dúvida a confiabilidade do sistema das urnas eletrônicas no Brasil - meio pelo qual ele foi eleito presidente em 2018. Em publicações nas redes sociais e durante as lives semanais, o presidente apresenta supostos indícios de fraudes e defende o “voto auditável”, mas não apresenta nenhum documento ou provas que corroboram para tal afirmação.

Em depoimentos concedidos à Polícia Federal (PF) e obtidos pelo Estadão, integrantes do atual governo admitiram que a seleção de conteúdos para as transmissões semanais não tinham nenhum critério e tampouco eram checados antes de serem veiculados nas gravações. Além disso, a investigação mostra que os alertas dos peritos criminais da PF sobre erros nos dados foram ignorados durante live feita no dia 29 de julho deste ano. Na ocasião, Bolsonaro listou um rosário de mentiras como se fossem “provas” sobre fraudes no sistema de votos adotados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Trecho de depoimento concedido à PF. Documento concluiu que Jair Bolsonaro agiu de forma deliberada para disseminar informações falsas sobre sistema de votação eletrônica durante live (Foto: Polícia Federal/Reprodução)
Trecho de depoimento concedido à PF. Documento concluiu que Jair Bolsonaro agiu de forma deliberada para disseminar informações falsas sobre sistema de votação eletrônica durante live (Foto: Polícia Federal/Reprodução)

Entenda como funciona o sistema de votação nas eleições do Brasil

Não há comprovação de fraude em quaisquer eleições brasileiras desde que o sistema de votação eletrônico foi implementado no Brasil em 1996. De acordo com o TSE, o sistema eleitoral brasileiro já é auditável e a integridade, segurança e auditabilidade das urnas é assegurada em cada pleito eleitoral com os seguintes processos:

  • Um mês antes das eleições nomeiam uma Comissão de Auditoria de Funcionamento das Urnas Eletrônicas;

  • 20 dias antes das eleições os Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) precisam informar em seus sites os locais em que as auditorias serão feitas;

  • Nas vésperas das eleições, ou seja, um dia antes da votação, a Justiça Eleitoral sorteia durante uma cerimônia pública algumas seções eleitorais do país. As urnas sorteadas são retiradas das seções de origem e levadas aos TREs. A comissão providencia o número de cédulas de votação, por seção eleitoral sorteada e que corresponda de forma aleatória, entre 75% e 82% do número de eleitores registrados na respectiva seção eleitoral. Votos aleatórios são marcados nas cédulas de papel preenchidas por representantes de partidos políticos e das coligações e guardadas em urnas lacradas;

  • No dia da votação a urna é iniciada com a emissão da zerésima - documento emitido em cada seção eleitoral, antes do início da votação para atestar que nenhum voto foi emitido. Todo o procedimento é filmado, os votos são lidos em voz alta e contabilizados ao mesmo tempo em que acontece a apuração por meio da urna eletrônica. Ao final, o boletim da urna é emitido e os resultados comparados devem ser iguais.

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