Relatório do PL não provou que Bolsonaro venceu Lula nas eleições com 51%

Nas redes, usuários afirmam que relatório do PL teria atestado uma suposta fraude nas urnas e que o presidente Jair Bolsonaro teria vencido com 51%, mas informação é falsa (Foto: AFP via Getty Images / Evaristo Sa)
Nas redes, usuários afirmam que relatório do PL teria atestado uma suposta fraude nas urnas e que o presidente Jair Bolsonaro teria vencido com 51%, mas informação é falsa (Foto: AFP via Getty Images / Evaristo Sa)
  • Nas redes, usuários alegam que Bolsonaro teria ganhado de Lula com 51% dos votos

  • O argumento se baseou em um relatório do PL usado para pedir a anulação de parte dos votos do segundo turno

  • A informação, porém, é falsa. O documento não comprova que o cálculo do TSE está errado

Na última terça-feira (22), o PL, partido do presidente Jair Bolsonaro, pediu a invalidação dos votos depositados em urnas antigas no segundo turno das eleições, dos modelos anteriores à UE2020. A demanda foi feita com base em um relatório do partido que indicou o suposto "comprometimento" das referidas urnas eletrônicas.

Após a divulgação do pedido, diversas publicações passaram a alegar nas redes sociais que o documento teria provado uma suposta fraude e que Bolsonaro teria vencido o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 51,05% dos votos.

A informação, contudo, é falsa. O documento não prova a vitória de Bolsonaro. O número de 51,05% apresentado no material se refere apenas a uma estimativa caso somente os votos das urnas mais modernas fossem considerados.

Captura de tela de uma publicação que engana ao afirmar que relatório do PL comprovou que Bolsonaro venceu as eleições com 51% (Foto: Facebook / Reprodução)
Captura de tela de uma publicação que engana ao afirmar que relatório do PL comprovou que Bolsonaro venceu as eleições com 51% (Foto: Facebook / Reprodução)

O documento apresentado pelo PL faz seus pedidos com base em uma suposta auditoria que somente foi realizada nos modelos UE2020. Segundo a equipe contratada, não foi possível auditar 59,18%% das urnas, todas anteriores ao modelo 2020. O partido solicitou a invalidação de todos os votos depositados nas urnas antigas, segundo eles não auditáveis.

Conforme uma projeção apresentada no documento, considerando apenas as urnas de modelo UE2020, Bolsonaro teria obtido 51,05% dos votos válidos, e Lula 48,95%. O documento, contudo, não comprovou qualquer erro na totalização dos votos.

Além disso, em entrevista ao UOL, o engenheiro eletrônico Carlos Rocha, um dos participantes da auditoria contratada pelo PL, disse que seu trabalho se limitou a averiguar se as urnas funcionaram bem ou não. A recontagem dos votos não seria parte da tarefa desempenhada por ele, afirmou ao portal de notícias.

Lula venceu o segundo turno da disputa eleitoral deste ano com 50,9% dos votos, enquanto Bolsonaro obteve 49,1%.

Há indícios de fraude nas eleições?

É falso que qualquer fraude nas urnas tenha sido comprovada. Ao contrário, instituições que atuaram como observadores nas eleições brasileiras reforçaram a credibilidade do sistema.

Uma delas foi a Uniore (Missão da União Interamericana de Organismos Eleitorais), que não identificou maiores problemas no funcionamento das urnas e considerou a eleição brasileira como exemplar para a América Latina. A Rojae-CPLP (Rede dos Órgãos Jurisdicionais e de Administração Eleitoral da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa) também afirmou que a utilização de meios eletrônicos de votação "revelou-se segura, confiável e credível". O observador concluiu que as eleições brasileiras foram "livres, justas e democráticas".

O International IDEA (Instituto para a Democracia e Assistência Eleitoral) elogiou a imparcialidade do TSE e ressaltou a confiabilidade das urnas. A instituição defendeu que a democracia brasileira se fortaleceu com o processo eleitoral e classificou os ataques ao funcionamento das urnas como controvérsias "desnecessárias". O TCU (Tribunal de Contas da União) realizou uma auditoria do sistema eletrônico de votação e não identificou qualquer divergência nas mais de 5 milhões de informações de boletins de urna que analisou.

Conteúdo semelhante foi verificado pelo Aos Fatos.