Relembre 7 vezes em que Bolsonaro atacou direitos dos indígenas

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Quando era deputado federal, Jair Bolsonaro já se posicionava contra demarcação de terras indígenas (Foto: JIM WATSON/AFP via Getty Images)
Quando era deputado federal, Jair Bolsonaro já se posicionava contra demarcação de terras indígenas (Foto: JIM WATSON/AFP via Getty Images)

O presidente Jair Bolsonaro (PL) sempre se manifestou de forma contrária à demarcação de terras indígenas no Brasil. Mesmo antes de ser candidato à presidência, Bolsonaro já se manifestava contra o aumento de localidades exclusivas para indígenas, onde garimpeiros não poderiam atuar.

A falta de proteção das terras indígenas tem ganhado ainda mais espaço nos últimos dias com o desaparecimento do indigenista Bruno Pereira e do jornalista inglês Dom Phillips, no dia 5 de junho, na terra indígena Vale do Javari.

Desde 2017, o presidente tem se expressado de forma contrária aos direitos dos indígenas. Relembre algumas falas em que Bolsonaro se opõe à proteção de povos originários brasileiros:

Abril de 2017

Durante fala no clube “A Hebraica” do Rio de Janeiro, em 3 de abril de 2017, Jair Bolsonaro apoiou o armamento da população e garantiu que, em um eventual governo, não havia “um centímetro de terra para indígenas e quilombolas”.

“Pode ter certeza que se eu chegar lá não vai ter dinheiro pra ONG. Se depender de mim, todo cidadão vai ter uma arma de fogo dentro de casa. Não vai ter um centímetro demarcado para reserva indígena ou para quilombola.”

Na ocasião, Bolsonaro disse que as terra indígenas atrapalhavam a economia e ofendeu quilombolas.

“Onde tem uma terra indígena, tem uma riqueza embaixo dela. Temos que mudar isso daí", afirmou. "Eu fui num quilombo. O afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas. Não fazem nada! Eu acho que nem pra procriador ele serve mais. Mais de R$ 1 bilhão por ano é gastado com eles."

Fevereiro de 2018

Pré-candidato à presidência, Jair Bolsonaro esteve em Dourados, Mato Grosso do Sul, em fevereiro de 2018. Ao chegar, o então deputado conversou com jornalistas e afirmou que, se assumisse, não haveria mais demarcação de terras indígenas.

“Se eu assumir como presidente da República, não haverá um centímetro a mais para demarcação”, disse. Em seguida, Bolsonaro afirmou que o “índio é nosso irmão, quer ser reintegrado à sociedade”.

“Índio já tem terra demais, vamos tratá-los como seres humanos, tem índio tenente do Exército, presidente da Bolívia [Evo Morales], não quer viver em um zoológico?”

Agosto de 2019

Já presidente do Brasil, Jair Bolsonaro criticou países como Alemanha e Noruega, que doavam para o Fundo Amazônia. Segundo o presidente, estavam “comprando à prestação o Brasil”.

“O pessoal está comprando à prestação o Brasil. A compra no passado era também demarcando terras, o Brasil só fazia acordos lá fora em troca de abrir mão de sua soberania, demarcando terras indígenas, ampliando parques”, declarou na ocasião.

Segundo Bolsonaro, as reservas indígenas atrapalham o desenvolvido do Brasil. “Não pode continuar assim, [em] 61% do Brasil não pode fazer nada. Tem locais que, para produzir, você não vai produzir, porque não pode ir num linha reta para exportar ou para vender, tem que fazer uma curva enorme para desviar de um quilombola, uma terra indígena, uma área proteção ambiental. Estão acabando com o Brasil”, disse.

Ele voltou a repetir que não demarcaria mais terras indígenas enquanto fosse presidente. “Eles têm 14% do território nacional. Imagine Região Sudeste, uma área maior que essa já é terra indígena, não é área suficiente?”, questionou.

Outubro de 2021

Quando o Marco Temporal passou a ser pauta do Supremo Tribunal Federal, Jair Bolsonaro concentrou esforços em criticar a medida. Em um evento de distribuição de terras no interior de São Paulo, o presidente celebrou o fato de não ter demarcado novas terra indígenas e criticou a possibilidade de que as reservas fossem ampliadas.

“Nosso governo demarcou uma só terra de reserva indígena? Demarcou um só quilombola? Ampliou algum parque nacional? Criou uma área de proteção ambiental?”, perguntou.

Sobre o Marco Temporal, Bolsonaro afirmou que a aprovação da medida significaria “o fim do agronegócio no Brasil”. “Isso é a certeza de que nós poderemos não ter mais a garantia alimentar”, declarou.

Dezembro de 2021

Durante discurso na CNI (Confederação Nacional da Indústria), Bolsonaro disse que não há mais demarcação de terras indígenas no Brasil.

“Não existe mais demarcação de terra indígena. O homem no campo acordava, por vezes, apavorado com uma notícia de que sua propriedade, via portaria do Ministério da Justiça, foi incluída em uma nova reserva indígena. Nós botamos um ponto final nisso.”

Bolsonaro também voltou a criticar o Marco Temporal. “Simplesmente acaba o Brasil (em caso de aprovação)”.

Maio de 2022

Bolsonaro participou de um culto evangélico em Goiânia no dia 27 de maio de 2022. No local, criticou o Marco Temporal novamente e disse que o Brasil acabaria, caso fossem demarcadas mais terra indígenas. O presidente também declarou que, caso a medida seja aprovada, não será cumprida pelo governo dele.

“Não é ameaça, é uma realidade. Só nos restam duas alternativas: pegar a chave da Presidência, me dirigir ao presidente do Supremo e falar: ‘administra o Brasil’. Ou, a outra alternativa: não vou cumprir”, afirmou.

“Se isso acontecer, acabou a nossa economia, acabou a nossa segurança alimentar”, disse. Mais de 33 milhões de pessoas no Brasil passam fome atualmente. Em pouco mais de um ano, houve um incremento de 14 milhões de pessoas na condição de não ter o que comer todos os dias.

Junho de 2022

Mesmo após o desaparecimento de Dom Phillips e Bruno Pereira, Bolsonaro seguiu com as críticas ao Marco Temporal. O presidente defendeu o agronegócio e repetiu o argumento da falta de segurança alimentar.

“Se um novo marco temporal for aprovado, teremos também uma nova área do tamanho da região Sul, e uma possível região do tamanho do estado de São Paulo. Acabou a economia brasileira do agronegócio! Acabou nossa garantia alimentar, acabou o Brasil!”, disse Bolsonaro no dia 7 de junho.

“Eu fui do tempo que decisão do Supremo não se discute, se cumpre. Eu fui desse tempo, não sou mais! Certas medidas saltam aos olhos dos leigos. É inacreditável o que fazem. Querem prejudicar a mim e prejudicam o Brasil”, declarou.

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