Relembre casos de irmãos que abalaram a Presidência

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Após colocarem Jair Bolsonaro no olho do furacão com o relato de que teriam alertado o presidente sobre suspeitas na importação da vacina Covaxin, o servidor Luis Ricardo Miranda e o deputado federal Luis Miranda (DEM-DF) depõem nesta sexta-feira na CPI da Covid no Senado.

Não é a primeira vez que irmãos se tornam pivôs de crises para a presidência da República. Relembre outros casos:

Em 2017, Joesley e Wesley Batista, donos da maior companhia de carnes do mundo, empurraram o então presidente Michel Temer para a ponta da prancha, num escândalo que quase levou à sua renúncia.

O GLOBO divulgou, em 17 de maio, que Joesley havia gravado uma conversa reservada com Temer no Palácio do Jaburu, em 7 de março, na qual o presidente dava aval para comprar o silêncio do deputado cassado e ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha. Aliado de Temer, o parlamentar havia sido preso dois meses antes na Operação Lava-Jato por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

Na gravação entregue por Joesley aos investigadores, Temer também indicava o deputado Rodrigo Rocha Loures para resolver assuntos da J&F, uma holding que controla o frigorífico JBS no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Loures tinha sido chefe de Relações Institucionais da Presidência quando Temer era vice-presidente e assessor especial da Presidência após o impeachment de Dilma Rousseff.

A informação fazia parte do conteúdo da delação dos irmãos Batista à Procuradoria-Geral da República (PGR). A crise levou Temer a um pronunciamento em rede nacional, no dia seguinte, no qual aliados chegaram a cogitar a renúncia. Ele, no entanto, recusou-se a deixar o cargo.

"Não renunciarei. Repito: não renunciarei. Sei o que fiz. E sei da correção dos meus atos. Exigo investigação plena e muito rápida para esclarecimentos ao povo brasileiro. Esta situação de dubiedade e de dúvida não pode persistir por muito tempo. Se foram rápidas nas gravações clandestinas, não podem tardar nas investigações e na solução respeitantemente a estas investigações", declarou na ocasião.

Em novembro de 2012, a Polícia Federal e o Ministério Público deflagraram a Operação Porto Seguro, que investigou um esquema de favorecimento a interesses privados operado por ocupantes de postos-chave do Executivo federal. A operação chegou à ex-chefe de gabinete da Presidência da República em São Paulo Rosemary Noronha, amiga do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas três irmãos se destacaram como personagens do esquema.

Paulo Rodrigues Vieira, diretor de Hidrologia da Agência Nacional de Águas (ANA), foi considerado pela PF chefe do esquema que cooptava funcionários públicos para beneficiar empresários. Seus irmãos Rubens Carlos Vieira, diretor de Infraestrutura Aeroportuária da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e apontado como consultor jurídico do grupo, e o advogado Marcelo Rodrigues Vieira, identificado como "testa de ferro" do grupo, foram outros alvos da operação.

Irmão caçula do então presidente da República Fernando Collor de Mello, Pedro Collor de Mello denunciou em maio de 1992, à revista "Veja", um esquema de corrupção envolvendo o tesoureiro da campanha do irmão, Paulo César Farias, conhecido como PC Farias.

Dias depois, Pedro foi destituído da chefia do grupo Arnon de Melo pela matriarca da família, Leda Collor de Mello, que alegou insanidade do filho, e a A Polícia Federal instaurou um inquérito sobre as atividades de PC Farias. Fernando Collor divulgou uma carta à nação, negando as acusações.

A entrevista detonou a abertura de um processo de impeachment contra o presidente. Em agosto, Fernando Collor, num discurso improvisado, convocou que "todo o Brasil" fosse às ruas vestido com as cores da bandeira para mostrar que os defensores do impeachment seriam minoria. Milhares de estudantes, entretanto, saíram vestidos de preto em passeata em dez capitais brasileiras, exigindo o impeachment de Collor.

Collor renunciou à presidência em 29 de dezembro, antes do julgamento do Senado, para fugir da cassação de seus direitos políticos. Mesmo assim, o Senado prosseguiu o julgamento e o condenou à inelegibilidade e à inabilitação para qualquer cargo público por oito anos.

Pedro Collor morreu de câncer em 1994.

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