Relembre as diversas versões de Cinderela do cinema

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Ao longo dos séculos, incontáveis livros, espetáculos e filmes foram feitos com base na história de Cinderela, a maioria inspirados na versão escrita pelo francês Charles Perrault no século XVII - mas sempre com espaço para inovações.

Confira uma seleção de obras que ajudaram a eternizar a personagem.

A primeira do cinema: 'Cendrillon' (1899)

A primeira adaptação de Cinderela para o cinema data ainda do século XIX, feita pelo francês Georges Méliès com base na obra de Charles Perrault. Neste curta-metragem, toda a história da “gata borralheira” é contada em menos de seis minutos. O filme foi pioneiro ao criar efeitos especiais com múltiplas exposições, dissoluções entre as cenas e emendas de substituição — algo parecido com as edições que seriam comuns 120 tantos anos depois, em aplicativos de vídeos como TikTok.

'Betty Boop em pobre Cinderela' (1934)

A popular personagem de desenho animado Betty Boop ganhou sua própria versão do clássico em um filme que marcou sua primeira aparição em cores para os cinemas. Na obra, a normalmente morena surge ruiva. O curta-metragem de animação foi ainda o primeiro filme colorido do Fleischer Studios. No Brasil, está disponível ao público pela plataforma do Telecine.

'Zolushka' (1947), a Cinderela soviética

A história de Cinderela também foi contada no cinema da União Soviética durante o governo de Josef Stalin. O musical protagonizado por Yanina Zhejmo e escrito por Evgeny Schwartz e Nikolai Erdman é recheado de tons satíricos e frases que se tornaram bordões famosos no país. Devido a problemas materiais e técnicos do estúdio Lenfilm, o projeto acabou sendo lançado em preto-e-branco, mas uma versão restaurada e colorida foi apresentada ao público em 2010.

'Cinderella' (1950): o ícone

A versão mais conhecida pelo público foi lançada pela Walt Disney em 1950. Com a Segunda Guerra Mundial, durante os anos 1940, as contas da produtora iam de mal a pior. Para manter os custos baixos, foram usadas cenas live-action como base para os desenhos. A personagem principal foi interpretada por Helene Stanley — que também serviu de modelo para as animações de "A Bela Adormecida" (como Aurora) e "101 Dálmatas" (como Anita).

A trilha sonora foi um destaque à parte e rendeu à animação duas indicações ao Oscar em 1951. Na voz de Ilene Woods, fizeram sucesso faixas como "A dream is a wish your heart makes", "Bibbidi-Bobbidi-Boo" e "So this is love".

O longa original teve duas sequências lançadas em DVD: “Cinderela 2: Os sonhos se realizam” (2002), e “Cinderela III: Uma volta no tempo” (2007).

'O sapatinho de cristal' (1955)

O romance musical dirigido por Charles Walters para a MGM é uma adaptação com música de Bronislau Kaper e números de dança do balé de Paris. Nesta versão, quando está triste, Ella vai até a floresta onde, um dia, encontra a andarilha madame Toquet e depois o recém-chegado príncipe Charles, que diz ser o filho do mestre-cuca do palácio.

'Cindy' (1978): a primeira Cinderela negra

A primeira Cinderela interpretada por uma mulher negra estreou na TV dos Estados Unidos no final dos anos 1970, trazendo adaptações urbanas para a história. Com um elenco composto inteiramente de atores negros, o longa de William A. Graham acompanha Cindy (Charlayne Woodard), uma jovem que se muda com a família do sul dos EUA para o Harlem, em Nova York.

Lá, ela é constantemente maltratada pela madrasta e pelas irmãs adotivas. Uma noite, conhece o capitão Joe Prince (Clifton Davis), um arrojado oficial do exército com quem começa um romance. Nessa versão, Cinderela descobre que seu pai, que ela pensava trabalhar em um grande hotel, é, na verdade, atendente de banheiro masculino.

'Uma Linda Mulher' (1990)

Este clássico dos anos 90, com direção de Garry Marshall ("O Diário da Princesa" e "Idas e Vindas do Amor"), traz Julia Roberts no papel de uma garota de programa cheia de sonhos em Los Angeles. Ela é contratada por um empresário solitário — vivido por Richard Gere — para ser sua companhia a compromissos sociais por uma semana, mas um romance florece entre os dois. A produção transformou a atriz em um ícone das comédias românticas e lhe rendeu uma indicação ao Oscar.

'Cinderela Baiana' (1998)

A versão brasileira do clássico encena uma biografia ficcional de Carla Perez, ex-dançarina do É o Tchan! que interpreta a si mesma, além trazer Lázaro Ramos em um de seus primeiros papéis no cinema.

A comédia musical (com vários momentos de humor involuntário) conta a vida sofrida de Carla, que parte do sertão da Bahia para Salvador buscando uma vida melhor. A jovem descobre o mundo da dança e logo é alçada ao estrelato por um empresário inescrupuloso que a explora. Com a ajuda dos amigos Bucha (Lucci Ferreira) e Chico (Lázaro Ramos) e de seu namorado Alexandre (vivido por seu então parceiro Alexandre Pires), Carla cria forças para ganhar a vida por conta própria com suas coreografias.

Fracasso de crítica e bilheteria, "Cinderela Baiana" ganhou fama como um dos piores filmes nacionais já feitos, se tornando uma pérola do trash no Brasil.

'A Nova Cinderela' (2004)

Os anos 2000 viveram uma onda de adaptações modernas e paródias do conto da Cinderela, inaugurada com o filme da Warner protagonizado por Hilary Duff e Chad Michael Murray. Sam, uma adolescente da Califórnia, é obrigada a trabalhar na limpeza do restaurante de sua madrasta, mas sonha em ir para a faculdade. Ela troca mensagens de texto com um garoto misterioso, que ela descobre ser o mais popular da escola. Esta versão não conta com a mágica da fada-madrinha, e quem ajuda Sam é sua amiga e gerente do restaurante Rhonda (Regina King).

Depois do longa, foram lançados títulos como "Outro conto da nova Cinderela" (2008), com Selena Gomez e Drew Seeley, e "A nova Cinderela: Era uma vez uma canção", com Lucy Hale e Freddie Stroma.

'Cinderella' hollywoodiana (2015)

Em 2015, a Disney volta a beber do clássico com um live-action superestrelado. No elenco, Lilly James no papel de Ella, Cate Blanchett como a Madrasta, e Helena Bohan-Carter na pele da Fada Madrinha. Nessa versão, Cinderela conhece o príncipe (Richard Madden) antes do baile, e a fada madrinha se apresenta para a mocinha primeiro como uma senhora pedindo esmolas. O filme, que faturou mais de US$ 542 milhões nas bilheterias, ganhou o Oscar de melhor figurino para Sandy Powell.

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