Relembre o incêndio no Hospital Badim, que deixou 23 mortos

Pedro Zuazo
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Incêndio do Hospital Badim, na Rua São Francisco Xavier
Incêndio do Hospital Badim, na Rua São Francisco Xavier

Um incêndio de grandes proporções atingiu o Hospital Badim, no Maracanã, na Zona Norte do Rio, no fim da tarde do dia 12 de setembro de 2019. As chamas foram provocadas por um curto-circuito em um gerador no subsolo da unidade de saúde. Onze pessoas morreram no dia da tragédia. Ao longo dos meses, no entanto, outros pacientes começaram a apresentar complicações decorrentes da inalação de fumaça e o total de vítimas fatais chegou a 23. O Badim, porém, não confirma o número, pois alega que ainda não foi apurado se todas as mortes têm correlação com o incêndio.

No momento do incêndio havia cerca de 500 pessoas no prédio, entre funcionários, acompanhantes e pacientes. O hospital informou que 103 pacientes foram afetados pelo incêndio, além de 21 funcionários e acompanhantes. Até fevereiro deste ano, a direção da instituição havia fechado 14 acordos de indenização com familiares das vítimas. O hospital não informou quantos ainda estão em negociação.

Assim como no caso do incêndio do Hospital Federal de Bonsucesso, nesta terça-feira, quando um galpão de pneus recebeu cerca de 50 pacientes, estabelecimentos vizinhos também foram usados para ajudar na evacuação do Badim. Na ocasião, o empresário Darci Martins Neto, de 40 anos, dono da creche Criando Com Arte, abriu as portas do espaço, que foi tomado por macas, equipamentos médicos e mais de 50 pacientes. Outras vítimas foram acomodadas em garagens de prédios do entorno enquanto aguardavam transferência.

A 23ª vítima do incêndio do Hospital Badim a morrer foi Marlene de Souza Petrola, de 83 anos. Ela foi socorrida com vida da tragédia e ficou internada no Hospital Israelita até o dia 18 de janeiro deste ano, quando morreu. Na ocasião, o Hospital Badim informou por meio de sua assessoria que aguardava o resultado do laudo da morte para identificar se havia correlação com o incêndio.

Filha de Marlene, a advogada Renata Petrola Matos de Souza afirmou que o incêndio do Badim ocorreu às 18h, mas a mãe dela só foi resgatada à meia-noite. Ela foi a última a sair do CTI B, segundo a advogada, que afirma ainda que a paciente inalou muita fumaça tóxica e teve que ficar intubada durante 20 dias no CTI do Israelita.

Pelo menos outros dois hospitais do Rio sofreram incêndios desde o caso do Hospital Badim.

Em novembro de 2019, houve um princípio de incêndio no Hospital Balbino, em Olaria, na Zona Norte da cidade. O fogo teria começado no sétimo andar do hospital, em uma sala administrativa, onde não havia pacientes.

Alguns pacientes chegaram a ser levados em macas e acomodados em colchões na calçada da unidade de saúde. Mas o fogo foi rapidamente controlado e não houve vítimas.

O Hospital municipal Lourenço Jorge, na Barra, teve um princípio de incêndio na madrugada do dia 1º de outubro. Um curto-circuito no quadro de disjuntores provocou o fogo, que foi controlado pelos funcionários da unidade antes mesmo da chegada dos bombeiros.

No dia seguinte, os pacientes e funcionários da unidade municipal tiveram um novo susto quando fumaça e um forte cheiro queimado levaram à evacuação da emergência da unidade. Alguns pacientes foram levados para a área externa do hospital, mas não houve feridos e a Secretaria Municipal de Saúde negou o princípio de incêndio.