Relembre outros presos nos inquéritos da fake news e das milícias digitais

Pelo menos dez apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL) foram presos nos inquéritos das fake news e das milícias digitais desde o começo de 2020. A apuração dos fatos nas duas investigações correm no Supremo Tribunal Federal (STF), sob a relatoria do ministro Alexandre de Moraes, um dos maiores desafetos de Bolsonaro. Entre os alvos dos mandados de prisão expedidos pelo magistrado, estão blogueiros, jornalistas, parlamentares e dirigentes partidários.

No caso mais recente, o magistrado determinou a prisão preventiva de um candidato a vereador por Belo Horizonte nas eleições de 2020. Ivan Rejane Fonte Boa Pinto foi detido nesta sexta-feira por ter publicado um vídeo em que ameaçou ministro do STF e, em outros momentos, atacou políticos de esquerda, como o ex-presidente e presidenciável Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Desde a instauração dos inquéritos, outros nove seguidores de Bolsonaro foram alvos de mandados de prisão.

Daniel Silveira

Bolsonarista de primeira hora, o deputado federal Daniel Silveira (PTB-RJ) foi preso em fevereiro de 2021 após publicar um vídeo atacando nominalmente ministro do Supremo e pedindo a volta de um AI-5, o principal instrumento repressor da ditadura, o que é inconstitucional. Ele foi detido em flagrante por crime inafiançável, e investigado no inquérito das milícias digitais. Em março de 2021, Silveira ficou em prisão domiciliar, com uso de tornozeleira eletrônica, que foi preso novamente em junho por ter desrespeitado a determinação do ministro Alexandre de Moraes.

Em abril, o STF condenou o parlamentar a 8 anos e nove meses de prisão em regime fechado, por dez votos contra um — o ministro Kassio Nunes Marques, indicado para a Corte por Bolsonaro, em 2020, votou de forma divergente. A decisão defende a inelegibilidade de Silveira, que também teve o acesso às redes sociais suspenso por determinação de Moraes.

Allan dos Santos

O blogueiro bolsonarista Allan dos Santos, um dos fundadores do portal Terça Livre, está foragido nos Estados Unidos desde outubro de 2021, depois que o ministro Alexandre de Moraes decretou a prisão preventiva no âmbito dos inquéritos das fake news e das milícias digitais. Ele é investigado por participar de um suposto esquema de divulgação de informações falsas sobre integrantes do Supremo.

O Ministério da Justiça e Segurança Pública foi acionado pelo STF para iniciar o processo de extradição do blogueiro dos EUA. Seu nome também está na lista de procurados pela Interpol. Em função de inquérito que investiga as milícias digitais, instaurado em julho de 2021, Twitter, YouTube e Instagram suspenderam as contas do bolsonarista.

Roberto Jefferson

Ex-presidente do PTB Roberto Jefferson, que já se considerou um ferrenho apoiador do presidente Jair Bolsonaro, foi preso preventivamente em agosto de 2021, no âmbito do inquérito que investiga a atuação de milícias digitais que praticavam ataques ao STF e a outras instituições democráticas. À ocasião, a PF também cumpriu mandados de busca e apreensão, porque o ex-dirigente partidário supostamente atuava em uma organização criminosa digital.

Ele ficou detido em um presídio em Bangu, na Zona Norte do Rio, até janeiro deste ano, quando o ministro Alexandre de Moraes, do STF, autorizou que fosse transferido para prisão domiciliar. O magistrado autorizou o afastamento do político da presidência do PTB em novembro de 2021.

Sara Winter

A extremista Sara Giromini, conhecida por Sara Winter, foi presa preventivamente em junho de 2020 por participar da organização do movimento "300 do Brasil", que organizou atos com ataques ao Supremo Tribunal Federal. O mandado, expedido por Moraes no âmbito do inquérito das milícias digitais, previa reclusão de cinco dias, prorrogáveis por mais cinco. Ela deixou a prisão e migrou para o regime domiciliar, com uso de tornozeleira eletrônica.

'Zé Trovão'

Marcos Antônio Pereira Gomes, autointitulado "Zé Trovão", foi alvo de mandado de prisão em setembro de 2021, por ter incitado um ato antidemocrático durante as comemorações do dia 7 de setembro. No entanto, ele fugiu do país antes da decisão expedida pelo magistrado, no contexto das investigações sobre milícias digitais, que corre no STF, que também o proibia de acessar as redes sociais.

Ele ficou foragido da Justiça brasileira por quase dois meses, enquanto a PF realizava buscas para identificar o paradeiro do caminhoneiro e blogueiro bolsonarista. Durante o período em que ficou fora do país, driblou determinações do STF e voltou a participar de lives em que incitava atos que ferem a democracia, como pelo fechamento da Corte. Ele se entregou na sede da PF em Santa Catarina em outubro.

Oswaldo Eustáquio

O jornalista e blogueiro Oswaldo Eustáquio foi preso pelo menos quatro vezes, todas a pedido do ministro Alexandre de Moraes, no âmbito dos inquéritos que correm no STF. Ele foi detido pela primeira vez em junho de 2020, no inquérito das milícias digitais, por determinação do ministro Alexandre de Moraes. Ele teria articulado mobilizações contra o Supremo e contra o Congresso Nacional.

Um novo mandado de prisão foi expedido contra Eustáquio em 2021, por ter organizado live com a participação do também investigado Zé Trovão, foragido à época.

Wellington Macedo

O blogueiro bolsonarista foi preso em setembro de 2021, sob suspeita de organização de atos antidemocráticos durante as comemorações do 7 de setembro. O mandado de prisão, que se estendeu ao caminhoneiro "Zé Trovão", foi solicitado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e decretado pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito que investiga milícias digitais.

Macedo, assim como o colega, feriu a determinação da voz de prisão, que proibia o uso de redes sociais, e participou de live no perfil do blogueiro bolsonarista Oswaldo Eustáquio. Um dos vídeos que o enquadraram no âmbito da investigação teve a participação do cantor Sérgio Reis, outro entusiasta do governo Bolsonaro. Na peça, Reis pedia a deposição violenta de ministro do STF, o que é inconstitucional.

Márcio Giovani Niquelatti

Márcio, mais conhecido como professor Marcinho, também foi preso preventivamente em setembro de 2021, pela Polícia Federal de Santa Catarina, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, no contexto do inquérito que investiga milícias digitais. Niquelatti revelou, em uma live nas redes sociais, um esquema que iria premiar quem conseguisse a cabeça do magistrado. Segundo ele, um empresário grande estaria atrás de Moraes.

Junto a Niquelatti, também foi decretada a prisão de Cássio Rodrigues de Souza, que se identificava nas redes sociais como policial militar. Ele afirmou, em publicação no Twitter, que Moraes e sua família seriam mortos.

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