Relembre polêmicas de Gabriel Monteiro, terceiro mais votado a vereador no Rio

Extra
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Foto: Reprodução/Instagram
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Eleito vereador na cidade do Rio de Janeiro, o youtuber Gabriel Monteiro (PSD), de 26 anos, foi membro da Polícia Militar por quatro anos e ficou famoso pelas acusações de corrupção que fez à corporação. Ele também atraiu atenção midiática quando foi expulso da PM em agosto e, pouco depois, reintegrado. Apesar de ter retomado o cargo no 34º BPM (Bangu), Monteiro, defensor do governo Bolsonaro, optou por pedir licença para entrar na política. Em seu caso, a lei determina que agentes com menos de dez anos de serviço sejam desligados automaticamente quando optam por concorrer a cargos eletivos.

A expusão da PM em agosto ocorreu, segundo a própria corporação, por deserção, após serem registradas 52 faltas durante o período em que trabalhou efetivamente como militar. Além disso, o então soldado respondia a um processo administrativo disciplinar desde março, quando teve o porte de arma suspenso. Somando-se a isso outras transgressões, Monteiro recebeu a pior das cinco classificações do regulamento interno em sua ficha disciplinar.

A ficha disciplinar do policial, a que o EXTRA teve acesso, revela que Gabriel cometeu 16 transgressões disciplinares durante o período que integrou as fileiras da PM. Por 14 delas, o soldado recebeu, no total, penalidades que somam 33 dias de detenção.

Com mais de cinco milhões de seguidores nas redes sociais, o youtuber já havia cometido uma "transgressão disciplinar de natureza grave", de acordo com a corregedoria da PM, ao tratar "de forma desrespeitosa" o ex-comandante geral da PM coronel Ibis Silva Pereira.

Também contra Ibis Pereira, que foi candidato a vice-prefeito na chapa de Renata Souza (PSOL), ele postou informações falsas no Twitter e foi penalizado pela 230ª Zona Eleitoral do Rio, que determinou pagamento de multa em R$ 5 mil.

Durante a campanha para o cargo de vereador, Monteiro apareceu em fotos tiradas em Campo Grande, na Zona Oeste do Rio, cercado por seguranças armados com espingardas calibre 12 usando distintivos pendurados no pescoço. Eles foram identificados como agentes da Polícia Militar, que abriu inquérito interno para apurar a escolta. Os policiais não atuavam em nome da corpoação naquele momento em que estavam sem farda e em posse ilegal de arma.

Questionado, Gabriel Monteiro enviou à reportagem imagens de um documento da corporação, uma Ordem de Policiamento, que comprovaria seu direito à escolta policial, garantido por um programa de proteção a pessoas ameaçadas. No entanto, a PM afirmou que o documento garantia a Monteiro uma escolta restrita ao domicílio eleitoral dele, em Copacabana, por uma viatura oficial e por agentes fardados, e ainda que as armas carregadas pelos seguranças, do tipo espingarda calibre 12, podem ser compradas por policiais militares, mas não portadas. Eles também foram fotografados fora do domicílio eleitoral, sem farda e em posse ilegal de arma.

A trajetória conturbada do youtuber, que afirma ser perseguido por denunciar a corrupção na PM, começou ainda no CFAP. Em sua primeira punição na carreira, em 30 de agosto de 2016, ele foi acusado de ter descumprido a ordem de um oficial e recebeu penalidades de dois dias de detenção. Ainda segundo sua ficha disciplinar, em outras duas ocasiões — em março de 2018 e em janeiro de 2019 —, quando já era soldado, o youtuber foi flagrado portando a arma da PM sem que estivesse de serviço e sem autorização para isso.

Ao EXTRA, Gabriel negou que tenha ficado detido administrativamente durante sua carreira, diferentemente do que consta em sua ficha disciplinar da PM.

— Nunca cumpri detenção. Isso é mentira — alega.

Questionado sobre as transgressões disciplinares que constam em sua ficha, ele diz desconhecer a maioria delas. Quanto à alegada deserção, ele afirma que havia sido dispensado por questões de saúde. De acordo com a PM, o documento de licença médica não foi apresentado pelo policial militar ao comando do 34º BPM. Este, segundo a corporação, é o procedimento válido, conforme previsto no artigo 43 da Resolução 210 da Corporação.

Em quase quatro anos na PM, Gabriel passou por cinco Unidades de Polícia Pacificadoras (UPP) e três batalhões. Foi na UPP do Pavão-Pavãozinho, em Copacabana, que o youtuber fez uma das prisões que mais gosta de exaltar. Em 2018, ele prendeu um dos gerentes do tráfico na favela. Pelo telefone, um comparsa ofereceu dinheiro para que o bandido fosse solto, mas Gabriel se negou a receber a quantia. Tudo foi filmado, e o vídeo teve milhões de visualizações.