Relembre as polêmicas que marcam o lançamento do livro do príncipe Harry, 'Spare'

O lançamento da autobiografia do príncipe Harry, "Spare", nesta terça-feira (10), abre parte da vida íntima da família real britânica sob um olhar diferente do dos especialistas e das "fontes próximas" habitualmente ouvidas pelos tabloides ingleses.

No livro, já se esperava que a morte da princesa Diana, as causas que levaram ao Megxit e o ressentimento com membros da realeza fossem assuntos tratados pelo segundo filho do rei Charles III, mas trechos vazados às vésperas da apresentação da obra ao público mostraram que o buraco pode ser muito mais embaixo do que imaginávamos e do que já foi noticiado pela imprensa internacional.

A seguir, confira algumas das alegações polêmicas que circularam antes de o livro ser lançado.

Agressão física de William contra Harry

O jornal The Guardian teve acesso ao trecho em que o príncipe Harry diz ter sido agredido pelo irmão, o príncipe William. O duque de Sussex revelou uma discussão feia entre os dois por causa de Meghan Markle.

"Ele me agarrou pelo colarinho, arrebentou meu cordão e me jogou no chão. Caí na vasilha de comida do cachorro, que quebrou nas minhas costas, com os cacos me cortando. Fiquei ali por um momento, atordoado, depois me levantei e disse a ele para ir embora" foi o trecho revelado pelo jornal britânico.

A causa da discussão teria sido comentários que William fez no ano de 2019, em sua casa em Londres.

Encontro no funeral do príncipe Philip

Harry também comentou sobre o primeiro encontro com a família real depois de se mudar para a Califórnia, nos Estados Unidos, com Meghan e o filho, Archie. Foi em abril de 2021, no funeral do príncipe Philip.

O duque de Sussex relatou que ainda havia muita tensão entre ele e William. Charles, então príncipe de Gales, se pôs no meio dos irmãos.

"Por favor, rapazes, não tornem meus últimos anos um sofrimento", disse o rei.

Calvície de William

Nem a calvície de William passou despercebida pelo irmão. O site Page Six revelou uma passagem do livro de memórias que abordava sobre o problema capilar do príncipe de Gales.

“Eu olhei para o Willy, olhei para valer para ele, talvez pela primeira vez desde a nossa infância”, escreveu o príncipe no livro, lembrando do primeiro encontro com o irmão no funeral do avô. “Suas feições fechadas se tornaram padrão durante nossas interações”.

Sobre a calvície do irmão, Harry classifica como “alarmante": “Está muito mais avançada que a minha”.

Mortes nas costas

O jornal Telegraph revelou que o príncipe Harry citou no livro de memórias que foi responsável por 25 mortes de combatentes talibãs. Durante os dez anos em que esteve no exército, o caçula de Charles cumpriu duas missões no Afeganistão.

“Não é um número que me satisfaça, mas também não me envergonha”, escreveu Harry, dizendo ainda que os via como “peças de xadrez removidas do tabuleiro” porque “você não pode matar pessoas se as vê como pessoas.”

O relato do príncipe foi condenado pelo governo afegão, que soltou uma nota de repúdio na sequência.

"A ocupação ocidental do Afeganistão é realmente um momento odioso na história da humanidade, e os comentários do príncipe Harry são um microcosmo do trauma vivido pelos afegãos nas mãos das forças de ocupação que assassinaram inocentes sem qualquer responsabilidade", disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Afeganistão, Abdul Qahar Balkhi.

Harry e William imploraram para o Rei Charles III não se casar com Camilla

Harry escreve que ele e William imploraram para que o pai não se casasse com Camilla, hoje rainha consorte da Inglaterra.

“'Você não precisa se casar de novo', imploramos a ele. Um casamento faria... o país inteiro, o mundo inteiro, comparar nossa mãe e Camilla, algo que ninguém queria", escreveu ele.

O jornal The Sun, noticiou que Harry afirma que ele e seu irmão tiveram reuniões separadas com Camilla antes que ela entrasse oficialmente para a família real. Harry afirma que ponderou se Camilla um dia seria sua "madrasta perversa", mas que ele e seu irmão estavam dispostos a perdoá-la em "seus corações", se ela pudesse fazer o rei Charles feliz, diz o jornal.

Em um trecho, Harry compara conhecer Camilla pela primeira vez a “tomar uma injeção”, “feche os olhos e você nem sentirá”.

William e Kate incentivaram uso de fantasia nazista

Harry se envolveu em uma de suas maiores polêmicas no ano de 2005, quando os tabloides o expuseram na capa vestido com uma fantasia de soldado nazista. No livro, o príncipe revela que William e Kate Middleton incentivaram o uso da roupa, que também foi motivo de risos.

“Telefonei para Willy e Kate, perguntei o que eles achavam”, escreve ele. “Os dois uivaram. Pior do que a roupa de malha de Willy. Bem mais ridículo! Qual, novamente, era o ponto."

Uso de drogas

Harry diz que cheirou uma carreira de cocaína na casa de alguém aos 17 anos, e admite ter usado a droga em várias outras ocasiões. Ele também fala sobre fumar maconha em Eton e nos jardins do Palácio de Kensington. “Depois do jantar, fumava um baseado, cuidando para que a fumaça não chegasse ao jardim do meu vizinho, o duque de Kent”, conta sobre sua vida em 2015. Ele ainda falou sobre a experiência de usar cogumelos alucinógenos.

Virgindade

Harry comentou que perdeu sua virgindade aos 17 anos, num campo atrás de um "pub movimentado". O príncipe classificou o momento como "um dos meus muitos erros", pela possibilidade de alguém ter o visto com "com uma mulher mais velha que gostava de cavalos machões e que me tratava como um jovem garanhão".

Ele ainda detalha sobre a ficada: “Fiquei sobre ela rapidamente, depois disso ela me deu uma surra e me mandou embora.”

Motivo do nome do livro

O título do livro, 'Spare', traduzido para a versão brasileira com "O que sobra", faz alusão a um comentário supostamente feito após o nascimento de Harry.

Harry escreve que, quando tinha 20 anos, contaram a ele que Charles disse a Diana: "Ótimo. Você me deu um herdeiro e um reserva. Você cumpriu o seu trabalho."