Remanescentes humanos encontrados nas buscas por Bruno e Dom chegam a Brasília para perícia

BRASÍLIA, DF,  BRASIL,  16-06-2022 -  Avião da PF com remanescentes mortais que podem ser de Dom Phillips e Bruno Pereira chega a Brasília . (FOTO Gabriela Biló /Folhapress)
BRASÍLIA, DF, BRASIL, 16-06-2022 - Avião da PF com remanescentes mortais que podem ser de Dom Phillips e Bruno Pereira chega a Brasília . (FOTO Gabriela Biló /Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Os remanescentes humanos que foram encontrados durante as buscas pelo indigenista Bruno Pereira e pelo jornalista britânico Dom Phillips chegaram no fim da tarde desta quinta-feira (16) a Brasília, onde vão ser examinados.

O material biológico, que havia sido descoberto no dia anterior, e a equipe de peritos federais foram trazidos para a capital do país em um avião da Polícia Federal que decolou ainda pela manhã de Manaus.

Os remanescentes humanos depois seguiram para a sede do INC (Instituto Nacional de Criminalística), da própria PF, para passar por perícia. A previsão é que os trabalhos já se iniciem nesta sexta-feira (17).

Os peritos tentarão determinar se os corpos são de fato de Bruno Pereira e de Dom Phillips, que estavam desaparecidos desde o dia 5 de junho. Além disso, os especialistas vão tentar descobrir quais foram as causas das mortes e eventuais armas utilizadas no crime.

A PF ainda não tem uma estimativa de quanto tempo vai durar a perícia, pois esse prazo vai depender dos exames que serão necessários. No entanto, a corporação prepara um esquema especial para concluir o processo no menor espaço de tempo, com o reforço de equipes e tratando o caso como prioridade.

O objetivo é liberar os remanescentes humanos em até sete dias para as famílias.

O caso do desaparecimento do indigenista e do jornalista britânico começou a ser esclarecido na noite desta quarta-feira (15), quando a Polícia Federal divulgou que um dos suspeitos investigados pelo desaparecimento confirmou participação no assassinato deles.

A PF afirma que o pescador Amarildo da Costa Oliveira, o Pelado, confessou o assassinato e indicou às autoridades onde havia enterrado os corpos, bem como ocultado a lancha em que viajavam Pereira e Phillips. O pescador ainda teria dito aos investigadores que as mortes ocorreram com disparo de arma de fogo.

Os remanescentes humanos teriam sido descobertos com escavações em locais de difíceis acesso e sem sinal de telefone.

De acordo com Eduardo Alexandre Fontes, superintendente da PF no Amazonas, foram encontrados corpos 3,1 km mata adentro. Segundo ele, não teria sido possível encontrar os restos humanos nesse período de tempo caso não houvesse a confissão de Pelado.

Outro suspeito, Oseney de Oliveira, conhecido como Do Santos, foi preso na terça-feira (14). Ele é irmão de Pelado, mas a PF disse que ele nega ter participado do crime.

Os investigadores que atuam no caso dizem haver indícios da participação de uma terceira pessoa no crime e miram a possibilidade de novas prisões. Também ainda não foi esclarecido se haveria um mandante.

Bruno Pereira e Dom Phillips viajavam na região do Vale do Javari (AM). Os dois retornavam de barco para o município de Atalaia do Norte, que é o mais próximo da terra indígena.

Durante as buscas pelo indigenista e pelo jornalista, as equipes conseguiram localizar uma mochila, roupas e um documento pessoal do indigenista. A investigação aponta a pesca e a caça ilegal na região como um possível motivo para o crime.

Também nesta quinta-feira, o presidente Jair Bolsonaro (PL) usou suas redes sociais para desejar sentimentos e confortos aos familiares do indigenista e do jornalista britânico.

"Nossos sentimentos aos familiares e que Deus conforte o coração de todos", escreveu ele no Twitter, respondendo a uma nota de pesar pela morte da dupla publicada pela Funai (Fundação Nacional do Índio).

Anteriormente, Bolsonaro havia minimizado o caso e dito que os dois estavam em uma aventura.

"Realmente, duas pessoas apenas num barco, numa região daquela completamente selvagem é uma aventura que não é recomendada que se faça. Tudo pode acontecer", disse ele na terça-feira (7), dois dias depois de a dupla desaparecer.

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