Renúncia de Jacinda Ardern evidencia exigências para mulheres no poder

Primeira-ministra da Nova Zelândia fala na 77ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York

Por Kate Lamb e Lucy Craymer e Kanupriya Kapoor

WELLINGTON (Reuters) - A surpreendente renúncia da primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern, que mudou a cara da política global quando foi eleita a chefe de Estado mais jovem do mundo, ressalta as exigências enfrentadas pelas mulheres no poder.

Segurando as lágrimas ao fazer o anúncio, a líder de 42 anos disse que era hora de se afastar depois de cinco anos e meio desafiadores no cargo.

"Políticos são humanos", declarou ela. "Damos tudo o que podemos, pelo tempo que podemos, e então é hora. E para mim, é hora."

Entre a admiração expressa por figuras mundiais, havia também uma apreciação de por que o trabalho pode ter cobrado seu preço.

"Vou sentir falta dela, mas entendo seu ponto de vista", disse a presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, nos bastidores da reunião anual do Fórum Econômico Mundial.

Os comentários de Ardern aludiram aos desafios de estar no cargo tendo uma família jovem, disse Anne-Marie Brady, professora de política na Universidade de Canterbury, na Nova Zelândia.

Ardern fez questão de dizer à filha Neve que está ansiosa para estar presente quando ela começar a escola este ano e disse a seu parceiro de longa data, Clarke Gayford, que é hora de eles se casarem.

As mulheres se libertaram, mas as "instituições patriarcais" não evoluíram o suficiente para sustentar a vida familiar, afirmou Brady.

"Precisamos de pessoas como Jacinda Ardern na política. Portanto, a situação dela é motivo de reflexão sobre o que podemos fazer mais para apoiar as mulheres na política e os homens e sua vida familiar também", acrescentou Brady.

A ex-primeira-ministra da Nova Zelândia Helen Clark disse que Ardern fez um "trabalho extraordinário" ao liderar o país em grandes crises.

“Nossa sociedade agora pode refletir de maneira útil se deseja continuar a tolerar a polarização excessiva que está tornando a política uma vocação cada vez menos atraente”, afirmou.

Yenny Wahid, uma proeminente ativista indonésia pelos direitos das mulheres e diretora do Instituto Wahid, disse que a decisão de Ardern carrega uma mensagem importante para a próxima geração de líderes.

"Ela escolheu o momento de sua própria saída, ela tem prioridades diferentes neste momento de sua vida. Isso mostra à geração jovem que está tudo bem."