Renan aponta 13 contradições de Nise Yamaguchi à CPI da Covid

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O senador Renan Calheiros, relator da CPI da Covid-19, e a equipe técnica que o acompanha na comissão compilaram uma tabela na qual apresentam contradições da médica Nise Yamaguchi em seu depoimento à comissão nesta terça (1º).

Entre elas constam falas na qual, de acordo com o relatório produzido por Calheiros, ela confirmaria a existência de um gabinete paralelo —que aconselharia o presidente Jair Bolsonaro em questões ligadas à epidemia de Covid-19.

"[Yamaguchi] esteve com Arthur Weintraub [ex-assessor da presidência] em reuniões na Presidência, em cerimônias e, inclusive, em evento denominado 'médicos para a vida', aquele discutiu possibilidades e estratégias para se viabilizar e distribuir medicamentos para tratamento precoce. Também participou de diversas reuniões no Ministério da Saúde", aponta o documento da equipe do relator da CPI.

Ainda segundo o documento, há contradições quando a médica afirmou afirmou que não participa de discussões sobre vacinas e que o presidente Jair Bolsonaro não tratou com ela a respeito de cargos de ministro ou qualquer outro.

O relatório de Renan rebate essas falas alegando, respectivamente, que Yamaguchi conversou com Bolsonaro, em um almoço no qual o ex-ministro Osmar Terra esteve presente, sobre a importância do tratamento precoce com cloroquina e a hidroxicloroquina, inclusive em favor da imunidade de rebanho; e que ela foi convidada pelo presidente para integrar reuniões o gabinete de crise do Planalto.

Ela também afirmou que nunca teria se encontrado sozinha com Bolsonaro. "Falsa declaração: documentos obtidos pela CPI comprovam que no dia 15/5/20, às 10h45, a declarante esteve no Palácio do Planalto, em reunião com o presidente da República", rebate Renan.

Sobre a fala da médica dizendo que tratamento precoce no Amapá teria resultado no menor índice de mortes, em todo o mundo, a tabela argumenta que "checagem mostra que, na verdade, o Amapá é o 6º Estado do Brasil em mortes por COVID-19, por 100 mil habitantes".

"Importante: foi declarado pela médica que o presidente da República afirmou que haveria algum tratamento precoce para Covid-19 em outros país e a questionou sobre o fato. Isso teria impulsionado a declarante, segundo suas próprias afirmações, a procurar o Conselho Federal de Medicina para ratificar o tratamento com cloroquina e hidroxicloroquina", afirma o relatório.

Yamaguchi negou à CPI que teria sugerido mudança na bula da cloroquina para recomendá-la para o tratamento da Covid. Segundo o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta e o presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, o documento foi apresentado em reunião no Planalto em 2020. "Ambos afirmaram que a depoente foi quem avançou e insistiu em mudar a bula da cloroquina para constar nela indicação para Covid-19", aponta Renan.