Renan Calheiros chama Bolsonaro de charlatão e apoia CPI da Covid

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Brazilian senator Renan Calheiros delivers a speech during a session to elect the Senate's new president, at the National Congress in Brasilia on February 2, 2019. (Photo by Sergio LIMA / AFP)        (Photo credit should read SERGIO LIMA/AFP via Getty Images)
Brazilian senator Renan Calheiros delivers a speech during a session to elect the Senate's new president, at the National Congress in Brasilia on February 2, 2019. (Photo by Sergio LIMA / AFP) (Photo credit should read SERGIO LIMA/AFP via Getty Images)

O senador Renan Calheiros (MDB-AL) chamou o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) de "charlatão", em apoio à instalação da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito), determinada pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Luís Roberto Barroso, para apurar possíveis omissões do governo federal durante a pandemia de coronavírus.

"As pessoas perguntam na rua: 'Quantas mortes poderiam ter sido evitadas se o governo tivesse acertado a mão?'. Essas questões têm que ser levadas na CPI. O presidente da Republica deu uma de charlatão, prescreveu remédios, defendeu a cloroquina, teria mandado fabricar... e isso tudo é passível de investigação", disse Calheiros em entrevista à CNN Brasil.

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Barroso deu o parecer ao analisar uma ação apresentada pelos senadores Alessandro Vieira (Cidadania-SE) e Jorge Kajuru (Cidadania-GO) para a instalação da comissão no Senado. Os dois conseguiram o apoio de 29 companheiros de casa, dois a mais que exigido pelo regimento da casa.

Mesmo com as assinaturas necessárias para a instauração da CPI, o presidente do Senado Rodrigo Pacheco (DEM-MG), eleito com o apoio do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), vinha resistindo a instalá-la.

"Defiro o pedido liminar para determinar ao Presidente do Senado Federal a adoção das providências necessárias à criação e instalação de comissão parlamentar de inquérito", afirmou Barroso, que também lembrou que não cabe análise de conveniência política do presidente da Casa para determinar a abertura da CPI.

Bolsonaro subiu o tom e reclamou que a CPI "não poderá investigar nenhum governador, que porventura tenha desviado recursos federais do combate à pandemia". No entanto, o presidente omite que o Senado tem competência para fiscalizar o governo federal. No caso dos governos estaduais, caberia às Assembleias Legislativas a fiscalização do uso das verbas.

"Barroso se omite ao não determinar ao Senado a instalação de processos de impeachment contra ministro do Supremo, mesmo a pedido de mais de 3 milhões de brasileiros. Falta-lhe coragem moral e sobra-lhe imprópria militância política", afirmou.