CPI da Covid: Renan ameaça Wajngarten de prisão por mentira e senadores pedem áudio da entrevista à Veja

·3 minuto de leitura
ex-secretário especial de Comunicação Social da presidência, Fabio Wajngarten.

Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado
Ex-secretário especial de Comunicação Social da presidência, Fabio Wajngarten. (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado)
  • Renan Calheiros ameaça pedir prisão de ex-chefe da Secom Fabio Wajngarten

  • CPI vai requerer à revista Veja áudio da entrevista concedida por ele

  • Em entrevista à revista "Veja", Wajngarten creditou o atraso do governo na aquisição de vacinas à "incompetência" e "ineficiência" do Ministério da Saúde

Os senadores da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no Senado se irritaram com o ex-chefe da Secretaria de Comunicação de Jair Bolsonaro, Fábio Wajngarten. O relator da comissão, Renan Calheiros (MDB-AL), disse que pode pedir a prisão de Wajngarten se ele mentir.

Renan Calheiros avisou que vai solicitar à revista Veja o aúdio da entrevista concedida pelo ex-chefe da Secom. No depoimento de hoje, Wajngarten negou falas da entrevista.

Leia também

"Queria requisitar a vossa excelência requisitar o áudio da revista Veja para verificarmos se o secretário mentiu ou não mentiu. Se não mentiu, a revista Veja vai ter que pedir desculpas a ele. Se ele mentiu, ele terá desprestigiado e mentido ao Congresso Nacional, o que é um péssimo exemplo. (...) E se ele mentiu à revista Veja e a essa comissão, vou requerer à Vossa Excelência na forma da legislação processual a prisão do depoente".

Em entrevista à revista "Veja", o ex-secretário de Comunicação Fabio Wajngarten creditou o atraso do governo na aquisição de vacinas à "incompetência" e "ineficiência" do Ministério da Saúde, à época comandado pelo general Eduardo Pazuello.

Em seu depoimento nesta quarta-feira (12), ele negou ter participado das negociações com a Pfizer

O presidente da comissão, senador Omar Aziz (PSD-AM), ameaçou dispensar o ex-secretário Fabio Wajngarten de seu depoimento na comissão, em que está como testemunha, e então reconvocá-lo na condição de investigado.

"Vamos requisitar sim (as gravações) para saber porque é importante. Porque tudo o que ele falou à Veja, ele negou", afirmou Aziz. "Alguém está mentindo, ou o depoente ou a revista Veja".

A base governista da comissão reagiu.

"Não cabe ao relator ou a qualquer membro da CPI ameaçar o depoente de prisão. E Vossa Excelência deve saber que prisão só acontece em flagrante, e não em relação a uma eventual contradição. A prisão por depoimento fraudulento e no momento do depoimento. Isso é abuso de autoridade", disse o senador Marcos Rogério (MDB-RO).

Gabinete paralelo de aconselhamento

Wajngarten afirmou que desconhecia a existência de um gabinete paralelo de aconselhamento ao presidente Jair Bolsonaro. Em seu depoimento à CPI ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta disse que o presidente Jair Bolsonaro tinha "aconselhamento paralelo" para a tomada de decisões na pandemia do coronavírus.

"O depoente disse desconhecer a existência [do gabinete paralelo]. Mas é o contrário. Vossa senhoria é a prova da existência dessa consultoria. Vossa excelência é a primeira pessoa que incrimina o presidente da República, porque iniciou uma negociação em nome do Ministério da Saúde, como secretário de Comunicação e se dizendo em nome do presidente", disse Renan Calheiros.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos