Renan defende convocação do ministro da Defesa, Braga Netto, para falar na CPI da Covid

·3 minuto de leitura

BRASÍLIA - O relator da CPI da Covid, senador Renan Calheiros (MDB-AL), defendeu nesta terça-feira a convocação do ministro da Defesa, Braga Netto. Renan citou a nota do Ministério da Defesa atacando o presidente da CPI, senador Omar Aziz, e dizendo que "as Forças Armadas não aceitarão qualquer ataque leviano às instituições que defendem a democracia e a liberdade do povo brasileiro". Para o relator da comissão, o ministro faz ameaças de golpes. Já há três requerimentos de convocação de Braga Netto apresentados em abril e maio que ainda não foram analisados pela CPI.

Na sessão da CPI ocorrida na quarta-feira da semana passada, Omar comentou o envolvimento de militares em irregularidades no Ministério da Saúde. Braga Netto e os comandantes das três forças reagiram com uma nota. Na noite de quarta, Omar se manifestou novamente dizendo que não seria intimidado. Outros senadores também criticaram Braga Netto.

Na sessão desta terça-feira, Renan disse que a Câmara aprovou a convocação de Braga Netto e defendeu que a CPI no Senado faça o mesmo. Na verdade, Braga Netto foi convidado pela Câmara. Após sinalização do governo de que o ministro compareceria, o requerimento de convocação foi transformado em convite.

— Braga Netto faz ameaças diuturnas, com retrocesso, com golpes, desfazendo a própria essência dos golpes. Nós já tivemos golpes no Brasil, rupturas institucionais, mas nós nunca tivemos um golpe como este que está sendo ameaçado, na defesa de um governo corrupto e impopular, de acordo com o entendimento da população brasileira. Então, nós temos sim que fazer essas convocações, porque essa investigação precisa avançar da forma que for necessário avançar. E a presença nesta comissão do ministro Braga Netto é fundamental para que muitos desses aspectos possam, verdadeiramente, se esclarecer — disse Renan.

A senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA) foi outra a defender a convocação de Braga Netto:

— Havendo a necessidade de ser convocado a esta comissão, ele tem que ser convocado. Nós não podemos nos submeter a um ato intimidatório e, aí, não fazer a nossa investigação devida. Precisamos fazer essa investigação. É bom lembrar que ele é integrante das Forças Armadas, mas também é integrante de um governo. Se ele está num ministério, ou esteve, porque agora ele está na Defesa , num ministério estratégico, a Casa Civil, e for necessário ser convocado, ele terá de ser convocado.

Também nesta terça, o senador Rogério Carvalho (PT-SE) criticou o ministro da Defesa e apresentou um requerimento em que pede toda a comunicação dele com o Ministério da Saúde na época em que foi ministro da Casa Civil. A CPI ainda terá que analisar o requerimento.

— Fez uma ameaça que tem por objetivo intimidar os trabalhos da CPI — disse Rogério Carvalho, sugerindo que o temor dele era na verdade em relação à época em que foi ministro da Casa Civil e coordenou ações contra a pandemia: — Isso pode ser a base da tentativa de intimidar a comissão, para que esta comissão não solicite a comunicação interna dele [na Casa Civil] com os demais ministros da Esplanada para ver como ele conduziu no combate à Covid-19.

Omar Aziz também voltou a comentar o episódio, dizendo que a nota das Forças Armadas foi desproporcional.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos