Renan diz que Pazuello mentiu à CPI da Covid; ex-ministro afirma que Bolsonaro 'fala de improviso e precisa ser corrigido depois'

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Na retomada do depoimento de Eduardo Pazuello na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19, nesta quinta-feira, o senador Renan Calheiros (MDB-AL), relator da CPI, acusou o ex-ministro da Saúde de já ter mentido em 14 oportunidades e pediu formalmente a contratação de uma agência de checagem para verificar possíveis inverdades ditas pelos depoentes. O ex-ministro, por sua vez, negou ter cometido falhas no colapso de Manaus, em janeiro, e nas negociações por vacinas, e disse ainda que o presidente Jair Bolsonaro dá declarações que "precisam ser corrigidas depois".

Ao longo do depoimento nesta quinta, Pazuello alegou que decisões sobre compra de vacinas não eram "só de uma pessoa" e culpou o governo do Amazonas e a empresa fornecedora White Martins pela falta de oxigênio em Manaus no colapso hospitalar em janeiro. Pazuello alegou ainda que teria ocorrido um "roubo" que levou à divulgação indevida do aplicativo TrateCov, que receitava cloroquina até para bebês, embora a plataforma tenha sido divulgada por canais oficias do governo.

Ainda de acordo com a avaliação do ex-ministro, algumas falas do presidente precisam ser "corrigidas" depois:

— Não podemos esconder o sol com a peneira. Ele fala de improviso, de pronto, como ele pensa. E algumas coisas precisam ser corrigidas depois, precisam ser reconversadas — disse Pazuello.

Renan criticou o conteúdo das declarações de Pazuello e classificou a postura do ex-ministro como "negação do negacionismo":

— É fundamental essa comissão contratar o serviço para fazer uma procura online da verdade, uma varredura das mentiras que estão sendo pronunciadas aqui. Tivemos uma primeira amostragem dessas contradições, inverdades e omissões. O depoente em 14 oportunidades mentiu flagrantemente e ousou negar suas declarações — disse Renan, que ironizou: — É a negação do negacionismo. Deve ser uma nova cepa. Negar tudo o que está posto, que a sociedade conhece, acompanha e se indigna, é tripudiar da CPI, imaginar que palavras são jogadas ao vento. Precisamos que se respeite essa comissão.

A declaração de Pazuello sobre compra de vacinas ocorreu ao ser questionado pelo senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) sobre a adesão ao consórcio Covax Facility. Inicialmente, o ex-ministro disse que a decisão se deu "no âmbito da Casa Civil", então chefiada pelo também general Walter Braga Netto. Pazuello admitiu que foi sua a decisão de compra da cobertura mínima, com 10% das doses, conforme relato do ex-chanceler Ernesto Araújo à CPI. Em seguida, contudo, disse que as decisões sobre vacinas eram tomadas em grupo.

— A decisão não é só de uma pessoa, é do grupo que está trabalhando, é um colegiado — disse Pazuello.

Pazuello também reiterou, durante os questionamentos de Alessandro Vieira, que não protelou a assinatura do contrato com a farmacêutica Pfizer e alegou ter formalizado o memorando de entendimento (MOU) com a empresa "independente (da anuência) da assessoria jurídica" do governo, citando supostas resistências da Controladoria-Geral da União (CGU) e da Advocacia-Geral da União (AGU) ao negócio.

Pazuello também foi instado a se explicar novamente sobre o recuo na intenção de compra da vacina Coronavac, após ser desautorizado pelo presidente Jair Bolsonaro, e respondeu a um questionamento do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) dizendo que não mandou retirar do Twitter do Ministério da Saúde a postagem que anunciava a compra. Na pergunta, Randolfe citou um tuíte deletado da conta oficial do ministério após a fala de Bolsonaro.

— Algum servidor pode ter tirado. Eu não mandei tirar nada de Twitter — disse Pazuello.

Inquirido pelo senador Fabiano Contarato (Rede-ES), Pazuello reconheceu que as ordens do presidente Jair Bolsonaro não precisam ser feitas por escrito. Na quarta, ao comentar a declaração "um manda e o outro obedece", que ele próprio deu após ser desautorizado por Bolsonaro sobre a compra da Conavac, Pazuello argumentou que isso representava um "jargão militar, apenas uma posição de internet", sem efeitos práticos, e que nunca teria recebido uma comunicação formal para evitar a compra de vacinas.

Indagado no início da sessão pelo senador Eduardo Braga (MDB-AM) de quem seria a responsabilidade pela falta de oxigênio em Manaus, Pazuello procurou eximir o Ministério da Saúde e alegou que a pasta é abastecida com informações repassadas pelas secretarias estaduais e municipais.

Bolsonaro participou de reunião que descartou intervenção no Amazonas, diz Pazuello

— Fica claro para mim que a preocupação com o acompanhamento do oxigênio não era um foco da Secretaria de Saúde do Amazonas, porque não faltou oxigênio e ficou focado em outras coisas, isso lá em dezembro ainda. No plano apresentado pela secretaria para nós não foi apresentada nenhuma medida sobre oxigênio — disse Pazuello, acrescentando:

— A empresa White Martins já vinha consumindo sua reserva estratégica e não fez isso de forma clara. Essa é a primeira responsabilidade. Se a Secretaria de Saúde tivesse acompanhado de perto, teria descoberto que estaria consumindo a reserva estratégica. Vejo aí duas responsabilidades muito clara. Começa na empresa. E a outra da Secretaria e Saúde. Da nossa parte fomos muito proativos a partir do momento em que tomamos conhecimento.

Braga relembrou que escreveu uma carta ao presidente Jair Bolsonaro para pedir intervenção federal na área da saúde do Amazonas, em janeiro. Ele questionou Pazuello por que o pedido não foi aceito. O ex-ministro afirmou que o assunto foi tratado numa reunião com a presença de Bolsonaro.

— Essa decisão não era minha, foi levada à reunião de ministros, com o presidente presente, e o governador (do Amazonas) se explicou, então foi decidido pela não intervenção — alegou Pazuello. Ao Ponto 20-5-21

Questionado em outro momento sobre qual foi o argumento apresentado pelo governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC), para evitar a intervenção federal, Pazuello respondeu que não lembra dos detalhes.

— Tenho lembrança, mas não tenho dado real. Mas a argumentação, em tese, era de que o estado tinha condição de continuar fazendo a resposta dele. Em tese. Os detalhes eu não tenho exatamente aqui. O resumo da argumentação é que ele teria condições de continuar — disse Pazuello.

Pazuello se retratou ainda de uma declaração no primeiro dia de depoimento, quando disse que deixou o Ministério da Saúde porque estava com a "missão cumprida".

— A compreensão de missão é muito militar. Por isso talvez as pessoas não tenham compreendido quando eu disse com missão cumprida, da minha fatia da missão, daquele pedaço, não a missão completa e ampla de combater a pandemia no país e entregar o país pronto e limpo, isso é muito maior. O tempo que foi me dado da missão é uma parte diferente do todo — disse Pazuello.

O ex-ministro disse que aproveitou para fazer a ponderação porque a pergunta veio de Angelo Coronel (PSD-BA), que supostamente entenderia do assunto. O senador, no entanto, esclareceu que não é militar e que Coronel é apenas o seu sobrenome.

Pazuello também afirmou, durante as perguntas, que sofreu com a crise em Manaus, especialmente por ter familiares e amigos lá.

O senador Eduardo Girão (Podemos-CE) disse que o governo brasileiro errou ao não agradecer a Venezuela por ter mandado oxigênio para o Amazonas.

— Gratidão precisa ter, precisa ser demonstrada — disse Girão.

Depois, em contraponto, perguntou se o governo venezuelano agradeceu o Brasil pela operação de acolhida de imigrantes venezuelanos, que foi coordenada por Pazuello antes de ele virar ministro da Saúde. Pazuello disse que não.

— Errou também. Deveria — disse Girão.

Ao ser confrontando sobre imagens em que aparece divulgando o aplicativo TrateCov, Pazuello admitiu que a plataforma foi apresentada, mas disse que não chegou a ser utilizada porque foi retirada do ar e descontinuada pela pasta.

Inicialmente, Pazuello havia afirmado que o sistema do TrateCov foi "hackeado" e usado indevidamente antes da hora. Ele prometeu apresentar ao colegiado um boletim de ocorrência que teria sido feito pelo governo federal após o episódio.

— Esse programa que o ex-ministro disse que foi hackeado, ele foi hackeado e colocado na TV Brasil. O hacker é tão bom que conseguiu colocar numa matéria extensa na TV Brasil — ironizou o presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD-AM), sobre a divulgação que foi feita sobre a plataforma.

Ao contrário do que disse Pazuello, um ofício assinado pelo próprio ex-ministro em janeiro mostra que o aplicativo foi, sim, lançado pelo Ministério da Saúde durante o colapso em Manaus.

Pazuello também disse nesta quinta-feira que a secretária do Ministério da Saúde Mayra Pinheiro teve a ideia da plataforma como "uma calculadora que facilitasse o diagnóstico" dos médicos em momento crítico de Manaus.

A sessão registrou um bate-boca entre senadores governistas e oposicionistas, ainda pela manhã, depois que o senador Marcos Rogério (DEM-RO), aliado do governo Bolsonaro, exibiu um vídeo na tentativa de atribuir a governadores a recomendação pelo uso de cloroquina.

Rogério exibiiu declarações dos governadores João Doria (PSDB-SP), Wellington Dias (PT-PI), Flávio Dino (PCdoB-MA), Renan Filho (MDB-AL) e Helder Barbalho (MDB-PA), além do secretário de Saúde da Bahia, Fábio Vilas-Boas, no começo da pandemia sobre a distribuição de cloroquina contra a Covid-19. Todos os vídeos são de abril de 2020, antes de a Organização Mundial da Saúde (OMS) desaconselhar o uso de cloroquina.

No último domingo, O GLOBO mostrou que o governo Bolsonaro seguiu incentivando a distribuição do medicamento depois disso, e apesar de estados terem devolvido comprimidos enviados pelo Ministério da Saúde. São Paulo, Maranhão e Alagoas devolveram cerca de 1 milhão de comprimidos.

— Isso aí foi em março de 2020. Se eu tivesse Covid, também teria tomado cloroquina. A ciência evolui. De lá para cá, esses governadores, o especialista David Uip (do governo de São Paulo)... Pergunte para ele hoje agora (se recomenda cloroquina) — rebateu Aziz.

Rogério insistiu:

— Nesses estados, ainda há protocolo (de cloroquina). Não estou dizendo que há distribuição pelos governadores. Mas os médicos têm liberdade para prescrever.

Em meio ao bate-boca gerado pela exibição do vídeo, o senador Marcos Rogério reclamou ainda do foco da CPI:

— Até hoje só acusaram o presidente Bolsonaro — alegou.

— Não é verdade, ninguém acusou o presidente Bolsonaro. Pelo contrário, o ministro Pazuello, tudo o que ele falou aqui ficou claro que não comprou vacina porque ele não quis — rebateu Aziz.

— Não é verdade — disse Rogério.

— Disse sim — insistiu Aziz.

Ainda durante a confusão, que levou o presidente da CPI a fazer um recesso de dez minutos, o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) saiu em defesa do irmão, o vereador Carlos Bolsonaro. Carlos havia sido citado no depoimento do ex-ministro Luiz Henrique Mandetta, que destacou tê-lo visto em reuniões no Planalto.

— Parece que é o maior absurdo um filho falar com o pai. Chama o pastor Silas Malafaia aqui. Ele fala diariamente com o presidente e o influencia. Quero ver se vai ter coragem — disse Flávio.

No início da tarde, Pazuello afirmou que não determinou a compra de hidroxicloroquina em sua gestão, mas não se referiu inicialmente à distribuição do medicamento que estava estocado pelo Ministério da Saúde.

— Eu não comprei nenhum comprimido de hidroxicloroquina — disse o ex-ministro.

Depois, ao ser confrontado pela senadora Leila Barros (PSB-DF), o ex-ministro disse que discorda de Bolsonaro em algumas questões, e citou entre elas a defesa da cloroquina feita pelo presidente. A senadora citou discursos em que Bolsonaro falou a favor do medicamento, e contra medidas sanitárias.

— Se me perguntarem, você foi para fazer isso, foi dizer para as pessoas não usarem (máscara)...? Não. Eu não acho que deva ser feito isso. A posição do presidente ou outros ministros são deles, é juízo de valor deles. Há impacto? Isso é imensurável, é incalculável — afirmou Pazuello.

Relembre: Na quarta-feira, Pazuello se contradiz sobre ordens de Bolsonaro e é contestado sobre falta de oxigênio em Manaus

O ex-ministro alegou ter sido surpreendido por alguns posicionamentos de Bolsonaro, mas disse que não deixaria eles interferirem em sua atuação da pasta.

— Eu não concordo com isso. Eu não comprei nenhuma grama de hidroxicloroquina, não fomentei o uso. Eu mandei distribuir tudo que pediam, se o estado pedia e eu tinha estoque. Para mim isso é uma grande discussão médica.

Pazuello disse ainda que despachava com Bolsonaro semanalmente ou quinzenalmente, quando apresentava ao presidente o quadro da pandemia no Brasil.

Perguntado também sobre as mudanças nas formas de divulgar os dados da pandemia no ano passado, que levou a uma menor transparência e motivou uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) determinando a continuidade da publicação dos números, Pazuello disse que havia um modelo com inconsistências e atraso no envio das informações pelos estados. Mas voltou a negar interferência de Bolsonaro.

— A gente não podia continuar a fazer daquela forma. A verdade é que a gente não conseguia fechar os dados antes de um sistema — disse Pazuello.

Ao iniciar sua tomada de depoimento, o senador Otto Alencar (PSD-BA) perguntou se Pazuello tinha feito algum curso sobre doenças infecto-contagiosas e coronavírus e, diante da resposta negativa do ex-ministro, relembrou que o militar havia dito na quarta-feira que queria perguntas mais profundas dos senadores.

— O senhor não sabe nem o que é a doença. Não deveria ser ministro — criticou Alencar, que citou ainda a recusa de Bolsonaro em usar máscaras.

Antes, logo no início da sessão, o senador Eduardo Braga havia questionado se o ex-ministro concorda com o uso de máscaras. Pazuello disse que sim e que foi divulgador na medida. Questionado em seguida sobre o episódio em que foi flagrado sem máscara em um shopping de Manaus, ele reconheceu o erro.

— Fui com máscara ao shopping. Quando cheguei, pisada, ela ficou inutilizada. Perguntei estou sem máscara, existe como comprar? Ela disse: no quiosque em frente. Oito metros até o quiosque, e eu fui fotografado. Daquele momento dali, eu fui passei a usar máscara — contou o ex-ministro.

Antes de iniciar esta resposta, Pazuello pediu que os senadores lembrem que ele é oficial general e que o seu compromisso de dizer a verdade vai além da CPI.

— Eu reitero minha posição de responder a todas as perguntas da forma mais clara, mais direta, e procurando passar toda a verdade. Gostaria de fazer uma observação sobre esse assunto, sobre verdade. Solicito que a versão das pessoas que estão perguntando, a pessoa pode não concordar com o que eu estou falando, e isso pode ser dito de várias formas, como 'olha, isso não está de acordo com o documento que eu tenho aqui'. Solicitaria de forma humilde que a gente lembrasse que o compromisso de dizer a verdade está muito além da CPI. Eu sou um oficial general — destacou.

Braga reclamou que Pazuello usou o tempo de resposta para fazer "um discurso e uma introdução".

— Uma coisa que não tem no Exército é enrolação, ou é ou não é — frisou o presidente da CPI, senador Omar Aziz, ao advertir Pazuello.

Pazuello voltou a ser questionado sobre a adoção de medidas sanitárias à tarde, pelo senador Alessandro Vieira, que perguntou ao ex-ministro se ele confirma declarações, dadas em uma "live" com o presidente Jair Bolsonaro em 14 de janeiro, de que a ciência não provou ainda a eficácia de máscara e isolamento.

— Se foi feita dessa forma e é uma live, tem que ser confirmado. Só temos que ter a construção da frase. As medidas de isolamento não são, como outras ações, cientificamente comprovadas. Elas podem funcionar para uns, e não funcionar para outros. Em relação ao uso de máscaras, tivemos um vaivém do uso de máscaras o ano todo, da própria OMS (Organização Mundial da Saúde) — respondeu Pazuello.

Na live de janeiro com Bolsonaro, o então ministro disse que o mais importante é ter a imunidade preservada, citando como fatores para isso alimentação, sono, trabalho, felicidade e "estar de bem com a vida". Já os fatores para a imunidade cair seriam estar deprimido, mal alimentado, com sono, estressado, sem preparo físico, sem caminhar, sem pegar sol, e não fazer esportes ou deixar de se divertir.

— O uso da máscara, o afastamento social, as medidas de isolamento, as medidas restritivas ou não, isso tudo nós temos muita dificuldade de encontrar o que deu certo e o que deu errado. Depende de cada lugar. (...) Vamos conviver com esse vírus, vamos ter que desenvolver hábitos novos. Esses hábitos novos incluem nosso cuidado, as mediadas preventivas sempre, inclui um grau de afastamento social, para que a gente não tenha aglomerações desnecessárias. Isso sim é o que é conhecido. Os outros fatores teremos uma história pela frente para olhar para trás e avaliar como funciona — afirmou Pazuello na live em questão.

O senador Renan Calheiros (MDB-AL), relator da CPI, deve elaborar um relatório preliminar após os primeiros 30 dias de funcionamento da CPI. O pedido foi feito e anunciado pelo presidente do colegiado, Omar Aziz, no início da tarde. Segundo Aziz, o intuito é fazer um "apanhado" de tudo o que ocorreu até o momento para que a população veja o que já foi apurado. De acordo com o presidente, "se (o parecer preliminar) for aprovado ou não, não tem problema".

Mais cedo, antes da retomada do depoimento de Pazuello, Renan disse que irá pedir ao presidente da comissão, Omar Aziz, para encaminhar uma relação de todas as supostas mentiras contadas por Pazuello em seu depoimento na quarta-feira ao Ministério Público Federal (MPF) do Distrito Federal. A ideia é que os procuradores da República avaliem se Pazuello violou o dever de falar apenas a verdade e praticou falso testemunho.

— Vou propor ao presidente, senador Omar Aziz, que ele faça o mesmo que fez com Fabio Wajngarten e que pegue as comprovações de mentiras e mande pro MPF do DF — disse Renan Calheiros se referindo ao depoimento do ex-secretário de Comunicação da Presidência da República Fabio Wajngarten.

Na chegada à comissão nesta quinta-feira, Renan disse que nenhum depoente da CPI da Covid mentiu tanto quanto Pazuello.

— Foram tantas mentiras... Muita gente já mentiu, mas ninguém mais que o Pazuello — afirmou o relator.

Renan Calheiros disse que, na sua avaliação, Pazuello mentiu para proteger o presidente Jair Bolsonaro. Ele classificou essa estratégia como uma “burrice inominável”.

Na tentativa de preservar o presidente Jair Bolsonaro sobre as ações e possíveis omissões do governo federal no combate à Covid-19, o ex-ministro apresentou uma versão diferente sobre as negociações com a farmacêutica americana Pfizer, que afirmou ter sido ignorada diversas vezes.

Ao abrir a sessão da CPI, por volta das 9h45, Omar Aziz informou que o depoimento com a secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, conhecida como "Capitã cloroquina", que seria realizado nesta quinta, foi adiado para a próxima terça-feira. No dia seguinte, os senadores vão apreciar requerimentos de informação e convocação, além de definir as próximas testemunhas a serem ouvidas.

Pazuello passou mal na quarta-feira, quando a sessão estava suspensa por conta do início da ordem do dia no plenário do Senado, e o presidente da CPI, Omar Aziz, remarcou para esta quinta o restante do depoimento e das perguntas de 23 senadores inscritos

Antes da retomada do depoimento de Pazuello, o senador Eduardo Girão (Podemos-CE) reclamou que houve vazamento de documentos sigilosos da CPI, já tendo sido inclusive identificada uma assessora parlamentar responsável por isso. Ele também solicitou que Aziz acione a Polícia Federal (PF) para apurar o caso.

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