Renan Filho promete ampliação de parcerias privadas e plano de retomada de obras em 100 dias

Recém empossado ministro dos Transportes, Renan Filho afirmou que pretende cumprir os contratos firmados durante a gestão de Jair Bolsonaro (PL) e dar prosseguimento ao calendário de concessões. De acordo com o ministro, a nova gestão investirá em Parcerias Público Privadas (PPPs) para a construção de novas obras de ferrovias e estradas. Um plano de trabalho será divulgado em até duas semanas, com foco em ações para os cem primeiros dias de governo. O escoamento da próxima safra de grãos e da produção de alimentos será o principal tema deste documento. Um conjunto de medidas visando o período de chuvas também será detalhado.

- O calendário de concessões será continuado, nada ficará parado no brasil. A prioridade é concluir obras que já estão em andamento. Vamos observar caso a caso, cada contrato. As concessões devolvidas precisam ser avaliadas individualmente, mas eu sou defensor do cumprimento dos contratos. Só há a possibilidade de quebrar contratos em execução, se ficar comprovado que houve erro no contrato. Para novos projetos, apostamos em PPPs. Para os projetos que já temos, utilizaremos os recursos públicos. Temos restrições fiscais, neste momento e contamos com o diálogo que retomaremos com o mundo a partir do novo governo. O mundo terá interesse em ver o brasil escoar a sua produção - disse.

O ministro também detalhou o plano inicial do seu ministério:

- Revisitaremos, sim, o marco regulatório dos transportes. Em 15 dias, espero estar preparado para os próximos cem. A safra agrícola precisa ser escoada e temos que estar preparados para o período de chuvas. Em 100 dias, quero ter um desenho dos próximos quatro anos. Garantiremos agilidade gerencial. Vou trazer pessoas que têm experiencia no setor, que vão me ajudar nesta tarefa que é reduzir o preço dos alimentos a partir de melhorias no nosso setor. E conto com os relatórios e trabalho dos ministros da Fazenda, Fernando Haddad (PT), e do Planejamento, Simone Tebet (MDB).

Renan Filho lamentou o estado de conservação das rodovias brasileiras e enalteceu a criação de uma secretaria voltada, exclusivamente, para as ferrovias nacionais.

- Estamos às vésperas do escoamento da safra agrícola, que demanda boas estradas, e infelizmente não estamos à altura desse trabalho de escoamento. As causas desta situação são mais do que conhecidas: os investimentos são insuficientes e as estradas sobrecarregadas. A recuperação de toda a malha demandaria R$ 100 bilhões em investimentos. Retomaremos obras paradas, nos debruçaremos sobre contratos e agora temos uma secretaria para tratar exclusivamente de ferrovias.

Sem citar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o ministro citou a importância da transmissão de cargo pelo antecessor.

- Quero agradecer ao presidente Lula, arquiteto, engenheiro e autor dessa construção de ministério. A posse dele nos tira do isolamento internacional e nos traz para uma convivência fraterna. É um alívio. Quero agradecer ao agora ex-ministro Marcelo Sampaio, que fez a transmissão simbólica do cargo. É um prazer vê-lo agir desta forma, ainda mais em um país em que outras pessoas vão para o exterior e evitam participar de atos democráticos - disse, antes de ser aplaudido pelos presentes.

MDB reforça apoio a Lula

O presidente do MDB, Baleia Rossi, reforçou durante a cerimônia de posse que o partido seguirá alinhado com o governo Lula. Ele lembrou que o MDB comandará três Ministérios e disse que os quadros do partido terão compromisso democrático.

- O MDB optou por ter uma ação colaborativa com o governo. Emprestamos três dos nossos melhores quadros à nova administração. Renan é um gestor, que nos orgulha. Simone Tebet e Jader Filho também farão grandes gestões. Seguimos comprometidos com a democracia.

Estão presente na cerimônia, os senadores Renan Calheiros - que é pai do ministro -, Randolfe Rodrigues, e o ex-presidente José Sarney. A ministra do Planejamento, Simone Tebet, também estava no local.