Renan reage a manifestação das Forças Armadas: “Sem medo de ameaças e intimidações”

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Renan Calheiros manifestou-se nesta sexta-feira (Evaristo Sá/AFP via Getty Images)
Renan Calheiros manifestou-se nesta sexta-feira (Evaristo Sá/AFP via Getty Images)
  • Renan Calheiros respondeu as manifestações recentes das Forças Armadas e Ministério da Defesa

  • O relator da CPI garantiu que as "ameaças e intimidações" não mudarão o rumo das investigações

  • Ele esclareceu, ainda, que a Comissão está investigando pessoas, e não instituições 

Relator da CPI da Covid, Renan Calheiros (MDB-AL) rebateu nesta sexta-feira as manifestações recentes das Forças Armadas sobre a Comissão. O senador garantiu não ter “medo de ameaças e de intimidações”.

“Nós vamos em frente, sem medo e investigando quem precisar ser investigado. Nós não podemos ter medo de arreganhos, de ameaças, de intimidações, de quarteladas. Nós vamos investigar haja o que houver, nada vai nos impedir”, declarou.

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A fala de Renan é uma resposta aos posicionamentos recentes das Forças Armadas sobre as investigações da CPI. Segundo a coluna de Bela Megale no jornal O Globo, representantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica prometeram uma reação “mais dura” em caso de nova citação da Comissão de corrupção entre militares.

A animosidade entre Senado e Forças Armadas começou na sessão da última quarta da CPI, quando o presidente da Comissão, Omar Aziz (PSD-AM), criticou o envolvimento de membros das Forças Armadas em supostos casos de irregularidade no Ministério da Saúde. A fala aconteceu durante depoimento do ex-diretor do Departamento de Logística da pasta, Roberto Ferreira Dias.

Lideranças das Forças Armadas prometeram reações
Lideranças das Forças Armadas prometeram reações "mais duras" à CPI - Foto: Alexandre Manfrim/Ministério da Defesa

“Os bons das Forças Armadas devem estar muito envergonhados com algumas pessoas que hoje estão na mídia, porque fazia muito tempo, fazia muitos anos que o Brasil não via membros do lado podre das Forças Armadas envolvidos com falcatrua dentro do Governo”, afirmou.

Comandantes das Forças Armadas assinaram nota publicada no mesmo dia pelo Ministério da Defesa, em repúdio às declarações de Aziz, em texto compartilhado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido). “As Forças Armadas não aceitarão qualquer ataque leviano às instituições que defendem a democracia e a liberdade do povo brasileiro”, diz.

Em meio às manifestações públicas de ambos os lados, Renan garantiu que a CPI seguirá investigando irregularidades cometidas por pessoas, e não instituições.

“Nós não vamos investigar instituição militar, longe de nós; nós temos responsabilidade institucional. Agora, nós vamos, sim, investigar o que aconteceu nos porões do Ministério da Saúde. E, na medida em que esses fatos forem sendo conhecidos e essas provas foram sendo apresentadas, nós vamos cobrar a punição dos seus responsáveis, sejam eles civis, sejam eles militares”, comentou.

Aziz vê tentativa de intimidação

Em um primeiro momento, o presidente da Comissão também rebateu e considerou que a nota do Ministério da Defesa era uma tentativa de intimidá-lo. Aziz esclareceu, ainda, que sua declaração era destinada a alguns integrantes das Forças Armadas atuantes no governo, e não a toda instituição.

"Minha fala hoje foi pontual, não foi generalizada. E vou afirmar aqui o que eu disse lá na CPI, novamente: podem fazer 50 notas contra mim; só não me intimidem, porque, quando estão me intimidando, e vossa excelência não falou isto –, estão intimidando esta Casa aqui. Vossa excelência não se referiu à intimidação que foi feita pela nota das Forças Armadas”, apontou.

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