Renan vê 'pulsão de morte' de Bolsonaro, e senadores querem acelerar depoimento de Queiroga na CPI

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***ARQUIVO***BRASILIA, DF,  BRASIL,  25-05-2021, 12h00: CPI da COVID. A secretária do Ministério da Saúde Mayra Pinheiro presta depoimento aos senadores da comissão. O senador Omar Aziz (PSD-AM) preside a comissão (ao centro da mesa) e o senador Renan Calheiros (MDB-AL) (à direita na mesa) é o relator. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
***ARQUIVO***BRASILIA, DF, BRASIL, 25-05-2021, 12h00: CPI da COVID. A secretária do Ministério da Saúde Mayra Pinheiro presta depoimento aos senadores da comissão. O senador Omar Aziz (PSD-AM) preside a comissão (ao centro da mesa) e o senador Renan Calheiros (MDB-AL) (à direita na mesa) é o relator. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Senadores da oposição e da ala independente da CPI da Covid querem acelerar o novo depoimento do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga. A posição foi debatida em reunião neste domingo (30).

Ainda não há data prevista para a segunda oitivia de Queiroga, mas a ideia é que ocorra em junho.

"Acho que, como ministro da Saúde, [Queiroga] se omite. Silenciar diante da pulsão de morte do presidente da República e imitar [o general e ex-ministro Eduardo] Pazuello na subserviência é covardia", afirmou Renan Calheiros (MDB-AL) à Folha.

Além de Calheiros, que é relator no colegiado, o vice-presidente da CPI, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), defendeu antecipar uma nova oitiva do ministro da Saúde.

O presidente da comissão, senador Omar Aziz (PSD-AM), não foi localizado pela reportagem.

À Folha Queiroga disse que não recebeu até o momento qualquer aviso por parte da CPI, mas que está à disposição para comparecer quando necessário.

"O meu foco é o enfrentamento da pandemia. Temos um cenário complexo pela frente. Estou à disposição para os esclarecimentos que forem necessários", disse o ministro da Saúde.

A estratégia do grupo de senadores inclui buscar antecipar também o depoimento da médica Luana Araújo. Ela chegou a ser anunciada pelo titular da Saúde como secretária especial de Enfrentamento da Covid, mas teve sua indicação retirada.

Inicialmente, Queiroga negou que a medida tivesse interferência do Planalto. Nesta semana, no entanto, justificou a saída afirmando que secretários precisam de "validação técnica e política" do governo.

O calendário desta semana da comissão será mantido. A ideia é mexer no cronograma a partir da segunda semana de junho para encaixar os dois depoimentos.

Nesta terça-feira (1º), a CPI ouve a médica Nise Yamaguchi na condição de convidada. Nise esteve em ao menos 4 de 24 reuniões no Palácio do Planalto do chamado "ministério paralelo" da Saúde, segundo documentos em poder da comissão.

Um dos senadores do grupo de opositores e independentes ao Palácio do Planalto na CPI, Otto Alencar (PSD-BA) disse que a ideia de acelerar a nova oitiva do ministro da Saúde se justifica "porque as coisas continuam do mesmo jeito" e pela insistência de Bolsonaro em promover aglomerações.

"O presidente aglomera todo fim de semana, Queiroga é contra aglomeração. Queiroga usa máscara, e o presidente, não. Queiroga está atrás de vacina, e o presidente continua estimulando tratamento precoce, e a vacina não chega", disse.

Alencar afirmou que o presidente Bolsonaro, que "já fez dezenas de aglomerações", será um dos culpados por uma eventual terceira onda da pandemia. A preparação diante do agravamento de casos também deve ser alvo de questionamentos.

"Ele [Queiroga] quer uma coisa e o presidente faz outra. As aglomerações que ele [Bolsonaro] fez têm forte componente nessa questão da possibilidade de avanço da terceira onda", disse.

Para Alencar, o atual ministro vive situação semelhante à dos ex-ministros Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich. "Ele quer uma coisa, e o presidente faz outra", diz.

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