Renault Duster muda o corpo mas mantém a alma

Jason Vogel

Quando chegou ao Brasil, em outubro de 2011, o Renault Duster fez bonito. Era bem maior e tinha visual mais moderno que o do Ford EcoSport, seu principal rival na época. O outro concorrente era o velho Hyundai Tucson de primeira geração — e só... Não deu outra: o Duster logo se tornou líder de vendas entre os utilitários compactos.

Mas o tempo voa e, desde então, todo mundo passou a investir nesse mercado, hoje dominado pelos Jeep Renegade e Compass, Hyundai Creta, Nissan Kicks e Honda HR-V. E, assim, o velho Duster fechou o ano passado em um modesto nono lugar em sua categoria, ultrapassado até pelo irmão Renault Captur, a quem empresta a parte mecânica.

A solução para tentar um contra-ataque já estava pronta desde o fim de 2017, quando a Dacia (braço romeno da Renault) mostrou um novo Duster no Salão de Frankfurt. Depois, já com o losango na grade, o modelo remoçado chegou à filial russa. Agora é a nossa vez.

A base é uma só

Esse Duster modelo 2021 — que está sendo lançado hoje — não chega a ser exatamente uma nova geração, já que a parte mecânica não mudou. Sua base ainda é a plataforma B0 (de Logan e Sandero) com os mesmos 2,67m de entre-eixos do antecessor. Em comprimento total, o modelo cresceu 4,7cm, o que pode ser creditado aos ressaltos maiores nos para-choques.

O motor continua a ser o 1.6 SCe flex, de 120cv, bem como as caixas manual, de cinco velocidades, ou CVT, com seis marchas simuladas, sempre com tração dianteira. Agora há sistema start-stop para reduzir o consumo, e ainda não foi desta vez que aposentaram o velho tanquinho de gasolina da partida a frio.

O adeus ao 2.0 com 4x4

A opção com motor 2.0 e tração nas quatro rodas sai de cena. Novidade técnica, só mesmo a assistência elétrica na direção, bem mais leve que a eletro-hidráulica utilizada anteriormente. Até que enfim!

Quem vê o carro, sabe de cara que é um Duster mas, segundo a Renault, todos os painéis externos foram mudados. A grade ganha aquela curvatura inferior que já vemos nos Logan e Sandero atuais, o para-choque tem ar mais robusto, com destaque para os suportes dos faróis auxiliares. Já os faróis principais passam a incorporar luzes diurnas de LED em forma de “C”.

Os para-lamas dianteiros exibem falsas saídas de ar. O para-brisa está mais inclinado e o capô ganha musculatura com ressaltos bem pronunciados. A linha de cintura sobe, reduzindo um pouco o tamanho dos vidros laterais, enquanto os arcos dos para-lamas ganham acabamentos de plástico preto. Na traseira, lanternas quadradas de Ford Galaxie 500 1967 — as mesmas que já tinham sido copiadas pelo Jeep Renagade! Será coincidência?

Evolução mesmo vemos na cabine, que muda um bocado em relação às de Logan e Sandero. O painel está mais reto e limpo, com destaque para as saídas de ar retangulares, exclusivas da versão brasileira. Ficou bem mais elegante que nos Duster europeus. O volante (igual ao dos Logan e Sandero) ganha ajuste de profundidade, enquanto os bancos passam a ter mais apoio lateral — tudo isso, e mais a assistência elétrica da direção, melhora bastante a vida do motorista.

Com tela de 8", a central multimídia estreia no Brasil o sistema a EasyLink, do Clio francês. E agora é lei: quem vai no meio do banco traseiro passa a ter direito a cinto de três pontos. Apliques de tecido cinza nas laterais de portas dão certa sofisticação ao ambiente.

Há quatro versões: Zen, Zen CVT, Intense CVT e Iconic CVT. Esta topo de linha traz equipamentos inéditos no utilitário da Renault, como câmeras de estacionamento na frente e nos retrovisores externos, destravamento de portas por aproximação, botão de partida, acendimento automático dos faróis e alerta de ponto cego.

Preço competitivo

A parte boa é que os preços pouco mudam em relação aos do Duster antigo, começando em torno de R$ 71 mil e chegando a aproximadamente R$ 87 mil (os números exatos só serão divulgados hoje, no lançamento). São valores bem competitivos se pensarmos que um Jeep Renegade pelado parte de R$ 79 mil e um Nissan Kicks não sai por menos de R$ 80 mil.

Mas e o prometido motor 1.3 turbo com injeção direta, de 150cv, desenvolvido em conjunto com a Mercedes? Talvez para o ano que vem... Já a picape Oroch não mudará este ano. Segundo a Renault, “é outro produto, com outro ciclo”.