Renda per capita dos brasileiros cai a R$ 1.353 e atinge menor valor em dez anos

A renda média dos brasileiros nunca esteve tão baixa. É o que mostra a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) 2021: Rendimento de todas as fontes, divulgada nesta sexta-feira (dia 10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No ano passado, a renda média mensal domiciliar per capita (por pessoa) foi de R$ 1.353. É o menor valor em dez anos, considerando a série histórica da pesquisa iniciada em 2012.

Entre 2012 e 2014, a renda média do brasileiro cresceu 6,2% (de R$ 1.417 para R$ 1.505). Essa tendência de crescimento da renda, porém, foi alterada em 2015 quando o país amargou o início da recessão. Naquele ano, o rendimento caiu 3,1%, estimado em R$ 1.458. A renda continuou perdendo valor em 2016, com queda de 1,3%, mas voltou a crescer entre 2017 e 2019 — registrando um aumento de 5,2%.

O rendimento chegou a atingir a maior média da série (R$ 1.520) em 2019, antes da chegada da Covid-19. Mas, desde que o país passou a enfrentar os efeitos econômicos da pandemia, o rendimento tem caído. Em 2020, recuou 4,3% frente o ano anterior e ficou estimado em R$ 1.454. Em 2021, o recuo foi de 6,9%.

De acordo com o IBGE, a renda domiciliar per capita mede o rendimento total do trabalho dividido pela quantidade de pessoas em cada residência.

Alessandra Brito, analista da PNAD Contínua, explica que o auxílio emergencial pago em 2020 funcionou como uma espécie de colchão para amortecer a perda de renda das famílias, sobretudo no momento em que houve uma menor participação do trabalho na composição da renda já que o emprego ficou escasso para milhões de brasileiros. Isso explicaria a queda menor da renda naquele ano em comparação com o ano passado.

Já em 2021, a redução do valor do benefício e do número de beneficiários atendidos pelo auxílio emergencial em meio à lenta recuperação do mercado de trabalho fez a renda sofrer mais. Outro fator que explica a queda é o avanço da inflação, que encerrou 2021 em dois dígitos com alta de 10,06%.

— Tem efeito pandemia, efeito inflacionário e efeito da retirada desses colchões com o mercado de trabalho ainda tentando se recuperar. São vários fatores que contribuíram, não é possível dizer qual preponderou, mas podemos dizer que todos perderam — explica Alessandra.

A pesquisa também revela que todas as regiões do país registraram perda de renda per capita entre 2020 e 2021. Entre elas, o Nordeste segue com menor rendimento médio mensal domiciliar, atingindo R$ 843 no ano passado.

Todos os domicílios registraram recuo no rendimento, mas a perda de renda foi maior nos lares em que havia algum membro da família recebendo algum tipo de programa social. Enquanto os domicílios não beneficiários registraram queda de 5,4% da renda, a renda per capita dos beneficiários do Bolsa Família se desvalorizou em dobro: recuo de 10,8% entre 2020 e 2021.

Entre os domicílios que tiveram algum membro recebendo outro programa social, como é o caso do auxílio emergencial, a redução no rendimento médio foi de 26,1% entre 2020 e 2021. Isso porque o valor do benefício foi reduzido pelo governo no ano passado. Nos lares sem beneficiários deste tipo de programa, a perda foi de 10,3% em relação ao ano anterior.

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