5 opções de investimento em renda variável que apresentam menos risco

Há opções no mercado para ter resultado de renda variável, mas sem correr o risco de um mercado de ações, por exemplo (Foto: Getty Images)

Por Fellipe Bernardino

No último dia de julho o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central divulgou que a Selic – a taxa básica de juros – chegou ao patamar mais baixo da história, aos 6%. Isso significa que os acostumados a investir em títulos como o Tesouro Direto e CDI, de renda fixa, precisarão correr um pouco mais de risco se quiserem maior rentabilidade em suas aplicações.

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A maior parte dos investidores não está acostumada com essa realidade. Os juros no Brasil costumam ser altos e os investimentos de baixo risco e de rentabilidade garantida, como títulos do governo, frequentemente são a única opção nas carteiras de investimentos pessoais. Para complicar as coisas, investir em ações não é simples – requer estudo, informação e tempo.

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Começar pelas opções menos arriscadas disponíveis na renda variável pode ser uma solução, já que os juros brasileiros tendem a permanecer baixos por um bom tempo. O motivo para isso é que o governo precisa estimular a economia, que insiste em não crescer. Juros mais baixos tendem a incentivar investimentos empresariais e consumo das famílias, mas garantem menos rentabilidade nos títulos públicos.

“A gente entende que os juros reais podem continuar algum tempo em um patamar muito baixo”, diz o sócio da Vero Investimentos Eduardo Akira. Para ele, começar a investir em ações de repente, sem experiência, não é a melhor ideia. “Mas, as pessoas vão ter que começar a escolher opções intermediárias”.

Selecionamos algumas opções de investimentos para quem pretende ter alguma rentabilidade na renda variável, mas sem se arriscar muito.

Fundos multimercado

Essas opções de investimentos são conduzidas por seus gestores a partir de diferentes estratégias. O espectro de investimentos é bem amplo e abarca vários mercados. Os fundos podem ter combinações de investimentos em moedas, juros, ações de empresas listadas na bolsa, derivativos, investimentos em renda fixa, entre outras possibilidades.

Para formular as estratégias, os analistas fazem projeções macroeconômicas a partir do cenário presente. Essas projeções levam a escolhas em diferentes mercados. Na soma, o investimento acaba ficando mais protegido. A lógica é a do ditado de que não se deve colocar todos os ovos em uma mesma cesta. Com isso, as aplicações adquirem uma “proteção natural” – um hedge, na linguagem dos profissionais das finanças. “Você faz apostas em várias cestas e uma pode dar certo, outra não, o que proporciona um balanceamento”, diz Akira.

Um bom indicativo é a menor volatilidade dos fundos multimercados. Quanto menos bruscas forem as variações de rentabilidade, mais seguro o investimento tende a ser. A contrapartida é que o investidor não deve esperar ganhos muito consistentes no curto prazo, mas para horizontes de tempo um pouco maiores.

Certificados de Operações Estruturadas (COEs)

Como é relativamente recente, esse é um investimento ainda pouco conhecido. A emissão dos COEs só começou a ser feita em janeiro de 2014. Como os COEs existem para captar dinheiro para os bancos, são as instituições financeiras – como Itaú, Santander, Morgan Stanley, BNP Paribas, entre outras – que emitem os certificados e assumem os riscos. Os bancos definem as condições para o investimento, como rentabilidade esperada, valores mínimos para a aplicação e vencimento.

Há duas modalidades principais. A primeira permite investimentos que não têm risco de perda do dinheiro inicialmente investido – no máximo, alguma perda do poder de compra por causa da inflação. A segunda modalidade é mais arriscada. Apesar de não haver chance de o investidor sair devendo, ele mesmo assim corre risco de perder todo o dinheiro investido

Em geral, esses investimentos são combinações de ativos de renda fixa com derivativos da renda variável. Há opções que incluem apostas em papeis de empresas estrangeiras como Google, Facebook, entre outras. Como são muito difíceis de ser acessados no mercado brasileiro, essa opção de investimento pode ser uma chance de lucrar no mercado de fora.

Fundos long and short

Dizer que a tradução dessa opção de investimentos para o português é “comprado e vendido” pode não ajudar muito. Mas, em linguagem mais simples, significa que o aplicador se expõe tanto a papeis que podem ganhar rentabilidade quanto aos que podem perder. Por trás disso, existe uma lógica: é uma estratégia que permite arbitragem das diferenças entre lucro e perdas para minimizar riscos.

Quando o investidor está comprado na bolsa, significa que ele espera valorização de um papel que adquiriu. Ele pode, por exemplo, ter aplicado R$100 em ações de uma empresa e esperar um retorno de 10%. No final, ele vai sair com R$110 – é o princípio básico do capitalismo de comprar barato para vender mais caro. Por outro lado, se o investidor está “vendido”, é porque as possibilidades de lucro estão na desvalorização do papel. Ele acredita que as ações vão cair. O investidor vende a ação pelos preços de agora, mas com a promessa de entregá-la ao comprador em algum momento futuro. Com a queda esperada nos preços, a parte “vendida” compra uma outra ação equivalente, agora mais barata, para cumprir o acordo. Assim, ganha com a diferença.

É com essa lógica que os fundos long and short operam. Ao aplicar neles, o investidor estará ao mesmo tempo comprado e vendido em ações de uma mesma empresa. Por isso, não há tanta dependência de altas ou quedas na bolsa, porque as possibilidades de lucro estão nas duas pontas.

Fundos long only

Em português, significa estar sempre comprado. Ou seja, esperar a valorização das ações. As gestoras contratam microeconomistas e analistas setoriais para investigar as condições de diversas empresas. Quando esses profissionais descobrem ações subvalorizadas, a gestora compra os papeis e espera a valorização. Por isso, os fundos long only são para longo prazo.

Fundos quantitativos

Essas opções de investimentos já estão disponíveis no Brasil, mas ainda não são muito expressivas. São fundos operados por robôs que obedecem algoritmos desenvolvidos a partir de modelos formados por economistas, matemáticos e engenheiros das gestoras de investimentos. Eles operam com tudo o que está na bolsa: commodities, índices, estruturas, ações, entre outras opções.