Rendesivir, único remédio aprovado no Brasil para tratar Covid, ainda não foi adotado no país

Giuliana de Toledo
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SÃO PAULO - O rendesivir, único remédio aprovado no Brasil para a Covid-19 com indicação específica para isso na bula, ainda não foi incorporado no tratamento da doença no país. As negociações do laboratório americano Gilead, seu fabricante, com o Ministério da Saúde para incluí-lo no Sistema Único de Saúde (SUS) ainda não renderam frutos.

A aprovação para o uso do rendesivir contra a Covid no Brasil foi dada em 12 de março, há um mês, portanto, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Ainda assim, desde então, não houve também, ao menos por enquanto, uma “corrida” atrás dessa medicação na rede privada. O GLOBO procurou, por meio de suas assessorias de imprensa, grandes hospitais particulares do país, para saber se já empregam o produto no seu dia a dia.

Em alguns dos outros mais de 50 países em que foi autorizado, como os Estados Unidos (por lá o antiviral ganhou aval do órgão regulador em 22 de outubro de 2020), o medicamento passou a fazer parte dos protocolos médicos para os pacientes infectados com o Sars-CoV-2 que se encaixam nas indicações. Atualmente, segundo a farmacêutica Gilead, 50% dos americanos internados com Covid fazem uso do rendesivir, conhecido também pelo seu nome comercial, Veklury.

A Índia é outro dos países que incorporaram o rendesivir no tratamento da Covid. O país asiático, que atualmente vive uma explosão de casos da doença, inclusive proibiu nos últimos dias que o medicamento seja exportado, priorizando a demanda interna.

A Organização Mundial da Saúde (OMS), por sua vez, não endossa o uso, porque, na sua avaliação, não há evidências suficientes de eficácia. O órgão destaca que a mortalidade não caiu em estudo amplo que comparou pacientes que usaram rendevisir com outros que não receberam esse tratamento.