Rennan da Penha fala sobre novo baile e fim da Gaiola: 'Repressão da polícia'

·3 min de leitura

No dia anterior a nossa conversa, Rennan da Penha, um dos DJs e produtores mais incensados do funk carioca, havia passado algumas horas em estúdio trabalhando numa música com Pabllo Vittar. Ele, que tem 28 anos — 13 de carreira —, diz que o som que fez com a drag queen ficou "muito bom", mas que não poderia dar mais detalhes. "Vem hit por aí, pode anotar", observa o cara, o nome por trás dos sucessos "Modo turbo", uma parceria com Luísa Sonza, Anitta e a própria Pabllo, e "Talarica" (aquela que fala: "Eu rezo por você que não pode postar uma foto com o amante, senão vai babar. E se alguém descobrir aquele caso lá, que só dia de semana vem te visitar).

A canção inédita com Pabllo, aliás, foi só mais uma das 70 que produziu desde o início da pandemia. "No talo", com vocais de Lexa, fez o maior barulho em seu lançamento, em agosto do ano passado. "Sextou", com Anitta, promete estourar neste verão, meses depois de chegar às plataformas digitais. "O distanciamento social não nos permitiu trabalhar as músicas como elas mereciam. Agora que as coisas estão voltando a uma certa normalidade, vamos dar uma gás extra, tocar em festas. Acredito muito no potencial de 'No talo', por exemplo", aponta o DJ.

Rennan não diz isso da boca para fora. Conhecedor do métier, ele sabe quando uma música tem realmente força no mercado. "Só coloco o som para o grande público depois de tocá-lo seis meses dentro dos bailes de favela. Depois desse tempo, solto para as pessoas do 'asfalto'. Se a comunidade não abraçar a música, nem levo para frente. 'Talarica' e tantas outras foram reproduzidas centenas de vezes antes de explodirem no Brasil inteiro. É minha estratégia."

E pensar que o carioca, papa do funk, não gostava do ritmo. "Gostava de hip-hop internacional, mas bati de frente com o batidão num baile, quando tinha 15 anos. O DJ agitava a galera só com um computador, achei o máximo. Eu me apaixonei ali pelo funk. Voltei para casa com essa ideia fixa na cabeça. E aqui estou eu, com história à beça para contar."

De volta ao trabalho com o público, o DJ deixou no passado o Baile da Gaiola. O nome, segundo ele, estava carregado de estigmas. Mas é na mesma Penha, onde nasceu e foi criado, que Rennan agora pilota o Baile das Estrelas. "Precisei tomar essa atitude, abandonar a Gaiola, por causa da repressão da polícia. Ficou complicado manter o baile. Tudo que envolvia o evento dava muita polêmica. O jeito foi criar um novo projeto, mas na mesma rua, acredita?", comenta o carioca, preso em 2019 acusado de associação com o tráfico de drogas (ele foi solto por ter sido beneficiado por uma decisão do Supremo Tribunal Federal que deu parecer favorável contra a prisão após condenação em segunda instância). "Essa cadeia foi dolorosa, sofri. Estava num momento ótimo da carreira, viajando, rodando pelo mundo. E tiraram isso de mim só por ter apertado a mão de um conhecido (um traficante).

Rennan frisa que depois que tudo que passou, seu amor pela música (e o ofício de DJ) só aumentou. "Não ligo para números. Quero fazer coisas que mexam com meu coração."

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos