Renovado aos 90 anos, Grande Prêmio Brasil de turfe terá food trucks e atrações para crianças

A maior competição do calendário brasileiro anual do turfe, o Festival Grande Prêmio Brasil, faz 90 anos no final deste mês. Assim que foi criado, autoridades se misturavam na tribuna a homens e mulheres elegantemente vestidos. O evento não perdeu a elegância, mas é visível uma mudança do Jockey Club Brasileiro e do próprio festival no que tange à democratização do GP. Na beira da pista e nas tribunas A e B, food trucks e barraquinhas de cachorro-quente, açaí e sorvete, entre outras guloseimas, mostram que a descontração é bem-vinda. No terceiro andar da Tribuna Social, o Formidable, do chef Pedro de Artagão, aceita reservas.

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Segundo Raul Lima Neto, presidente do Jockey, essa mudança é proposital:

— Renovação e tradição precisam estar juntas. Além da emoção do turfe, não faltam atrações e opções gastronômicas, o que atrai novos públicos e reforça a importância do evento para a economia e para o turismo da nossa cidade. O Grande Prêmio Brasil é reconhecido pela elegância dos que prestigiam o principal dia, que é domingo, 26 de junho, mas as corridas de cavalo acontecem o ano todo, de domingo a terça-feira, sempre com entrada franca. Para quem quiser, apostas podem ser feitas por a partir de R$ 2, tanto no hipódromo quanto pela internet. O Jockey é entretenimento, um programão para toda a família — diz Lima Neto.

Até as crianças serão atendidas. Além de se encantarem com os pungas, aqueles cavalos dóceis que circulam pela raia antes dos páreos, haverá a participação especial do canal de TV por assinatura Gloob e dos personagens Lady Bug e Cat Noir na Tribuna B, espaço totalmente dedicado à família e às crianças com as recreações e expositores da feira infantil Burburinho, que estará comemorando sua décima edição durante o festival no sábado e no domingo.

O clima pelo Jockey é de retomada. Nos anos anteriores, devido à pandemia, foram feitas versões bem menores do Grande Prêmio. Em 2020, a competição foi realizada sem a presença do público. Já em 2021, graças ao avanço da vacinação e da flexibilização das medidas restritivas pelas autoridades municipais, aconteceu uma edição com público reduzido, também em um formato menor.

Com entrada gratuita, o Grande Prêmio será disputado sábado e domingo que vem a partir de 13h. E na sexta e na segunda-feira, dia 27, haverá provas a partir das 17h.

O principal páreo, chamado de Grande Prêmio Brasil, que é disputado no Hipódromo da Gávea desde 1933, será no domingo, dia 26. A previsão é que ocorra entre 17h e 17h30m. Nesta prova, a expectativa é que participem nomes veteranos, como o de Jorge Ricardo, e novos talentos, como Leandro Henrique e Bruno Queiroz, além da joqueta Jeane Alves. Como a cearense Jeane venceu o Grande Prêmio de São Paulo no mês passado com o mesmo animal que montará no Rio, o cavalo Roxoterra, há chances reais de ela repetir o feito e se tornar a primeira mulher a ganhar um GP.

Mulheres terão destaque entre os jóqueis

Homens, mulheres, jóqueis e joquetas de idades variadas estarão no páreo pelo troféu mais importante do turfe nacional.

Mas quem estará, literalmente, em casa durante todo o evento será Victoria Mota, cuja residência fica na vila dentro do Jockey Club, que pega quatro bairros da Zona Sul: Jardim Botânico, Gávea, Leblon e Lagoa. Na verdade, Victoria não só mora. Ela nasceu e foi criada ali:

— Comecei a montar em 2015. Em 2016, passei a disputar as corridas. Eu me apaixonei pelo turfe porque era uma paixão de família. Meu avô era treinador. Meu pai foi jóquei; minha mãe, treinadora de cavalos. É uma paixão que vem de berço, e eu não tinha como fazer algo diferente. A paixão pelos cavalos veio antes da paixão pelo turfe. Uma coisa se conecta à outra, e foi a melhor decisão que tomei na vida.

Victoria ainda não teve confirmação para o páreo do Grande Prêmio, mas tem previsão de montar o clássico Imprensa, com chances de ganhar (porque ela já ganhou outras duas vezes, com a mesma égua, La Toscana). A joqueta, de 23 anos, confessa que a semana que antecede o maior evento do turfe nacional é tensa:

— Causa ansiedade. O que acaba mudando nos treinos é que os cavalos com os quais treinamos correm os páreos mais importantes. Então, temos que ter delicadeza e sensibilidade maior para prepará-los. Eles têm que estar na sua melhor forma.

Victoria conta que cuida da saúde do corpo e da mente da forma que mais gosta. Ou seja: ao ar livre.

Exposição de fotos e show de luzes

—Ter a praia para dar uma corrida no fim de tarde, a Lagoa para fazer exercícios e para apreciar a paisagem, estando ao mesmo tempo focada no preparo físico, nas atividades que preciso fazer… Tudo isso é muito importante para aliviar a tensão e focar 100% no trabalho — diz.

Os bastidores das vilas hípicas e dos profissionais que cuidam dos cavalos que disputam as corridas no hipódromo serão revelados no Salão de Apostas pelo fotógrafo Christian Odevall. Numa exposição, ele reunirá imagens que fazem parte do livro “Backstage”. Para o presidente do Jockey, Raul Lima Neto, o evento mudou e procurou compreender melhor o seu público.

—Buscamos entender como podemos aproveitar ao máximo nosso espaço para proporcionar boas experiências. Nada mais carioca do que curtir uma tarde ao ar livre, podendo optar entre chope e açaí e ainda escolher entre um prato assinado por um chef e um petisco no food truck — afirma.

O encerramento será à altura dos 90 anos do GP Brasil. Após o páreo de domingo, o hipódromo receberá um show de luzes com mais de cem drones.

No domingo, o traje esporte fino para o Festival Grande Prêmio Brasil é obrigatório somente para quem frequenta as arquibancadas e os gramados da Tribuna Social. Durante todo o festival, não será permitido o uso de bermudas na Tribuna Social. Nos demais dias e locais, não há limitação de roupas, exceto camisetas de times ou de cunho político e chinelos. Os espaços estão sujeitos a lotação.

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