Repórter da Folha processa Bolsonaro por danos morais após fala com insinuação sexual

Foto: Andressa Anholete/Getty Images

A repórter Patrícia Campos Mello, do jornal Folha de S.Paulo, apresentou à Justiça uma ação com pedido de indenização por danos morais contra o presidente Jair Bolsonaro. A jornalista foi alvo de insinuação sexual por parte do presidente, que ainda reproduziu a fala em suas redes sociais.

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Além do presidente, os advogados da repórter iniciaram processos cíveis contra Hans River do Rio Nascimento, ex-funcionário de uma agência de disparo de mensagens em massa. Allan dos Santos, apresentador do Terça Livre e apoiador declarado de Bolsonaro, também será processado pela jornalista.

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Os ataques à jornalista se iniciaram depois que Hans River prestou depoimento à CPMI das Fake News, no Congresso, em 11 de fevereiro. Ele trabalhou para a Yacows, empresa especializada em marketing digital, durante a campanha eleitoral de 2018.

Em dezembro daquele ano, uma reportagem da Folha de São Paulo denunciou uma rede de empresas, entre elas a Yacows, que utilizavam de forma fraudulenta nomes e CPFs de idosos para registrar chips de celular e assim conseguir realizar disparos em massas em benefício de políticos.

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Sobre a matéria, que tem Patrícia Campos Mello como uma das autores, Hans afirmou à CPMI.

"Quando eu cheguei na Folha de S.Paulo, quando ela [repórter] escutou a negativa, o distrato que eu dei e deixei claro que não fazia parte do meu interesse, a pessoa querer um determinado tipo de matéria a troco de sexo, que não era a minha intenção, que a minha intenção era ser ouvido a respeito do meu livro, entendeu?".

Horas depois da fala de Hans, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente, endossou os ataques à jornalista.

"Eu não duvido que a senhora Patrícia Campos Mello, jornalista da Folha, possa ter se insinuado sexualmente, como disse o senhor Hans, em troca de informações para tentar prejudicar a campanha do presidente Jair Bolsonaro. Ou seja, é o que a Dilma Rousseff falava: fazer o diabo pelo poder", disse Eduardo.

Declaração de Bolsonaro

Jair Bolsonaro, uma semana após a fala de Hans, ironizou o trabalho da jornalista da Folha de S. Paulo, veículo muito criticado pelo presidente.

"Ela [repórter] queria um furo. Ela queria dar o furo [risos dele e dos demais]", disse o presidente em frente ao Palácio da Alvorada. Bolsonaro concluiu: "A qualquer preço contra mim".

De acordo com a Folha de S.Paulo, o texto da ação judicial contra o presidente afirma que a fala de Hans foi imediatamente difundida através das redes sociais e, dias depois, ganharam enormes proporções depois da declaração de Bolsonaro.

"No rastro dessa difusão de ofensas e mentiras, o presidente da República, em mais um ato em que desconsidera completamente a liturgia do cargo que ocupa, assumiu para si o discurso ofensivo, desrespeitoso e machista contra Patrícia na sua matinal entrevista em frente ao Palácio da Alvorada", afirma a defesa da repórter.

Em outro trecho, os advogados da jornalista ressaltam um “caráter punitivo pedagógico” que uma eventual condenação do presidente teria.

“Os danos morais, no caso em tela, além de servirem como reparação pela ofensa à honra e dignidade da autora, também devem possuir um caráter punitivo pedagógico, com o intuito de desestimular a conduta indevida do réu e de terceiros, sabendo que terão de responder pelos danos causado".