Repórter fotográfico é agredido e roubado em manifestação bolsonarista em Belo Horizonte

BELO HORIZONTE, MG (FOLHAPRESS) - A Guarda Municipal e o setor de fiscalização urbana da Prefeitura de Belo Horizonte retiraram na manhã desta sexta-feira (6) a estrutura de um acampamento montado por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em frente a um quartel do Exército da capital mineira. Eles pediam um golpe militar no país.

A justificativa para o desmonte foi a falta de licenciamento para a estrutura —o acampamento estava montado havia cerca de 50 dias.

Nesta quinta (5), um repórter fotográfico do Jornal Hoje em Dia foi agredido por participantes do ato enquanto produzia uma reportagem no local. Jornalistas voltaram a ser hostilizados nesta sexta durante a retirada da estrutura.

Uma equipe de O Tempo foi agredida após discussão com manifestantes. Um dos bolsonaristas empurrou o cinegrafista, tentando jogar sua câmera no chão. O repórter foi empurrado e recebeu um tapa na nuca, conforme imagens divulgadas pelo jornal. Em seguida é possível ver o repórter da 98 FM também sendo empurrado e jogado no chão. Segundo a Polícia Civil, até o final da tarde as vítimas não haviam registrado boletim de ocorrência.

Manifestantes tentaram impedir a retirada de barracas, lonas, hastes de bandeiras e estruturas utilizadas para alimentação. Um banheiro químico também foi levado. A prefeitura precisou de três caminhões para transportar o material.

O Exército acompanhou o trabalho da Guarda Municipal com um representante no local.

No momento da saída dos caminhões, manifestantes sentaram na avenida que passa em frente ao quartel e que seria utilizada na passagem dos veículos. Ainda que sem uso de gás lacrimogêneo ou cassetetes, todos eles foram retirados para a saída dos caminhões.

Alguns manifestantes, mais exaltados, caíram no chão ao tentarem confrontar os guardas municipais para se aproximar dos caminhões. Enquanto isso, um grupo dos participantes do ato cantava o hino nacional.

Conforme informações da prefeitura, a estrutura era ilegal porque não passou por licenciamento do município. Havia também, segundo o governo municipal, reclamações diárias de moradores do entorno, pedestres e motoristas sobre transtornos como som alto, sujeira, bloqueio do passeio e da via.

"O que se fez foi a retirada desses equipamentos sem a necessidade de recorrer à Justiça", afirma a prefeitura, em nota.

O representante do Exército que acompanhou a retirada do acampamento, tenente Chagas, afirmou aos manifestantes que poderiam continuar no local, mas que a estrutura não poderia permanecer por causa da decisão da prefeitura.

Depois da saída dos caminhões e da partida da Guarda Municipal da frente do quartel, parte dos manifestantes continuou no local.

O prefeito de Belo Horizonte, Fuad Noman (PSD), em conversa com jornalistas na sede do município depois da retirada da estrutura, afirmou que até um gato —ligação clandestina de energia— foi feito pelos bolsonaristas no acampamento.

O prefeito disse ainda que decidiu realizar a operação de retirada da estrutura após a agressão ao repórter fotográfico. Noman classificou o ataque como intolerável.

"Na operação foi encontrada ligação de luz clandestina e barracas de comida e bebida sem o devido licenciamento urbanístico", disse o prefeito.

O chefe do Executivo municipal afirmou ainda não ter havido nenhuma negociação com o Exército para a operação, e que a instituição foi apenas comunicada da retirada, já que se tratava de decisão da alçada do município.