Repórteres Sem Fronteiras pede que Reino Unido não extradite Assange

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Manifestação pede a libertação de Julian Assange em Londres (AFP/JUSTIN TALLIS) (JUSTIN TALLIS)

A ONG Repórteres Sem Fronteiras (RSF) pediu, nesta sexta-feira (22), à ministra britânica do Interior, Priti Patel, que não extradite para os Estados Unidos o fundador do WikiLeaks, Julian Assange, em interesse da liberdade de imprensa.

A RSF e outros grupos de defesa do direito à informação publicaram uma carta aberta dirigida a Patel, cuja aprovação formal é necessária para a entrega de Assange, instando-a a "recusar a solicitação de extradição do governo dos Estados Unidos".

Também lhe pedem que "atue em interesse da liberdade de imprensa" e permita a imediata libertação do australiano, de 50 anos.

Na quarta-feira (20), um tribunal britânico emitiu uma ordem formal de extradição de Assange para que seja julgado nos Estados Unidos, onde poderia passar toda a sua vida na prisão pela publicação de milhares de documentos militares e diplomáticos americanos secretos no WikiLeaks desde 2010.

A ministra agora tem a palavra final, ainda que Assange possa apelar de sua decisão em um prazo de 14 dias a partir do momento do anúncio.

Os Estados Unidos querem julgá-lo por espionagem e poderiam condená-lo a até 175 anos de prisão se for declarado culpado.

As ONGs asseguraram a Patel que, uma vez nos Estados Unidos, o fundador do WikiLeaks seria "incapaz de se defender adequadamente" nos tribunais, já que a legislação americana contra espionagem não permite alegar interesse público como defesa.

Também consideraram provável que ele seja detido em condições que "aumentariam gravemente seu risco de suicídio".

"Seu julgamento abriria um perigoso precedente que poderia ser aplicado a qualquer veículo de comunicação que publicar notícias baseadas em informações vazadas, ou de fato a qualquer jornalista, editor ou fonte em qualquer parte do mundo", afirma a carta aberta.

Em 2019, Assange foi enviado para a prisão londrina de alta segurança de Belmarsh, por violar sua liberdade condicional britânica quando, em 2012, se refugiou na embaixada do Equador em Londres para evitar ser extraditado para a Suécia por acusações de estupro, que foram abandonadas desde então.

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