Reparo nos 40 trens chineses retirados de circulação não tem prazo para terminar

Diego Amorim e Gustavo Goulart
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Estação Maracanã: trens em manutenção, mas sem prazo para retorno

A SuperVia não foi informou um prazo para a conclusão dos reparos nos 40 trens chineses retirados de circulação por falhas nas caixas de tração, engrenagem que transmite energia do motor para os eixos e as rodas. A concessionária estima que 420 mil passageiros serão impactados por dia, o que corresponde a 70% do total de pessoas que embarcam em seu sistema.

Das 201 composições da concessionária, cem são chinesas. Elas chegaram ao Rio entre 2014 e 2016 em dois lotes: um de 30 trens, com peças e tecnologias chinesas, e outro com 70, de origens chinesa e alemã. As 40 composições retiradas de circulação eram do último lote.

Em nota, a SuperVia informou que o plano de contingência adotado conseguiu minimizar os efeitos da redução da frota. O texto diz ainda que “lamenta os transtornos e reforça que está mobilizada para adequar a operação da melhor forma, buscando impactar o mínimo possível a rotina dos passageiros”.

Ainda assim, ontem, passageiros do sistema ferroviário enfrentaram na segunda-feira longos atrasos e plataformas e vagões lotados devido à retirada de circulação de 40 trens chineses. A pedido da fabricante CRRC, as composições passarão por um recall porque apresentaram problemas nas caixas de tração. No ramal de Deodoro, os trens circularam com apenas quatro carros, em vez de oito. Já as linhas de Santa Cruz e Japeri e o trecho entre Gramacho e Saracuruna tiveram intervalos irregulares ao longo de todo o dia.

— Eu entrei na plataforma de Japeri às 6h30 e só consegui embarcar depois das 7h. O trem veio bem cheio e parou três vezes entre estações, sem motivo aparente. Levei 50 minutos a mais para chegar ao trabalho — contou a empregada doméstica Creuza de Jesus, de 61 anos.

A redução da frota só foi comunicada pela concessionária SuperVia à população 12 horas antes. O governador Wilson Witzel também não foi informado sobre o problema com antecedência. O mesmo aconteceu com a Agência Reguladora de Serviços Públicos Concedidos de Transporte Aquaviários, Ferroviários, Metroviários e de Rodovias do Rio (Agetransp), que só soube da medida no domingo.

— Fomos surpreendidos. A SuperVia não nos comunicou o problema nem avisou que iria tomar essa medida. A Agetransp vai avaliar e, se for o caso, aplicará uma multa — disse Witzel. — É outra herança maldita. A SuperVia, que é uma empresa privada, comprou esses trens, que agora aparecem com problemas. Pode ser que a concessionária tenha sido enganada. É uma questão a ser apurada.