Veja a repercussão da divulgação das conversas entre Moro e membros do MPF

Divulgação das conversas entre Moro e membros do MPF, apontando supostas interferências nas investigações da Lava Jato pelo então juiz federal, gerou grande repercussão. (Foto: Michael Dantas/AFP/Getty Images)

A divulgação das conversas mantidas entre Sergio Moro, atual ministro da Justiça do governo de Jair Bolsonaro e ex-juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba, com membros da força-tarefa da Operação Lava Jato no âmbito do MPF (Ministério Público Federal) gerou grande repercussão no País.

As trocas de mensagens publicadas no domingo (9) pelo site The Intercept Brasil revelam uma linha direta entre os procuradores do MPF e o ex-juiz federal, responsável pela primeira sentença condenatória do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva referente ao triplex do Guarujá, e que resultou na prisão do petista na carceragem da PF de Curitiba.

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As reações se dividem em mensagens de apoio à operação e seus componentes, e cobranças de equidistância e impessoalidade entre os órgãos que investigam dos que julgam e punem.

MORO E MPF-PR

Diretamente citados, Moro e o MPF do Paraná, onde as investigações foram centralizadas, foram os primeiros a se manifestarem sobre as conversas. O atual ministro da Justiça relativizou o conteúdo, que classificou como “sensacionalista”

Mais tarde, Moro afirmou, em entrevista, não viu "nada demais" nas conversas. "Não tem nenhuma orientação nas minhas mensagens", afirmou o ministro a jornalistas, após evento em Manaus. "Fato grave é a invasão criminosa do celular dos procuradores".

Já o MPF do Paraná afirmou, em uma nota inicial, ter sido alvo de hacker que “praticou os mais graves ataques à atividade do Ministério Público”. Depois, uma nova nota prestando “esclarecimentos à sociedade” foi publicada no site do órgão e compartilhada nas redes sociais.

DELTAN DALLAGNOL

Em seu Twitter pessoal, o procurador da República e coordenador da Lava Jato em Curitiba, Deltan Dallagnol, fez uma série de publicações em defesa da operação e, sem se manifestar com aspas próprias, compartilhou trechos da carta redigida pela força-tarefa.

“Os procuradores da Lava Jato não vão se dobrar à invasão imoral e ilegal, à extorsão ou à tentativa de expor e deturpar suas vidas pessoais e profissionais”, escreveu o procurador.

LULA E DEFESA

Pelo Twitter, o primeiro movimento da equipe de Lula foi questionar as acusações referentes ao processo do triplex do Guarujá, que rendeu a prisão do ex-presidente na carceragem da PF.

Em seguida, a conta do Twitter do ex-presidente fez diversos compartilhamentos de diferentes jornais ao redor do mundo a respeito da divulgação da troca de mensagens.

Por fim, o perfil de Lula compartilhou a nota da defesa assinada pelo advogado Cristiano Zanin, na qual ele fala da urgência no “reestabelecimento da liberdade plena de Lula” diante da “manipulação das leis e dos procedimentos jurídicos para fins de perseguição política”.

VICE-PRESIDENTE HAMILTON MOURÃO

O vice-presidente da República, Hamilton Mourão, reafirmou a confiança em Moro e disse que não viu nada demais nas conversas. “Conversa privada é conversa privada. Descontextualizada ela traz qualquer número de ilações. O ministro Moro é uma pessoa da mais ilibada confiança do presidente, é uma pessoa que dentro do país tem um respeito enorme da maior parte da população”, disse.

CLÃ BOLSONARO

Três dos quatro filhos do presidente Jair Bolsonaro (PSL) também se manifestaram a respeito da divulgação e seguiram a cartilha de defesa da Lava Jato. Flávio, senador pelo PSL-RJ; Eduardo, deputado federal pelo PSL-SP; e Carlos, vereador pelo PSC-RJ, declararam apoio a Sergio Moro.

Mais enfático, Carlos e Eduardo Bolsonaro aproveitaram a onda para compartilhar tweets de ataques à esquerda, e críticas ao The Intercept Brasil.

MARCELO BRETAS

Juiz responsável pela Lava-Jato no Rio de Janeiro, Marcelo Bretas também defendeu Sergio Moro e insinuou, inclusive, que existe a possibilidade de os diálogos serem falsos.

JOICE HASSELMANN

Líder do PSL na Câmara, a deputada federal Joice Hasselmann afirmou, em entrevista ao portal UOL, que conversou com Moro, que este lhe garantiu que não há qualquer desvio de conduta legal ou moral. Pelo Twitter, a parlamentar preferiu destacar a invasão do celular do ministro e dos procuradores do MPF.

CARLA ZAMBELLI

Correligionária de Joice, a deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) defendeu Moro e a Lava Jato em uma sequência de tweets, citando a relação entre o jornalista Glenn Greenwald, co-autor da reportagem do The Intercept Brasil, e seu relacionamento o deputado federal David Miranda (PSOL-RJ).

MONIQUE CHEKER

Também integrante do MPF no Rio, a procuradora Monique Cheker teve seus tuítes em defesa da Lava Jato e de seus membros amplamente compartilhado entre os seguidores e correligionários de Bolsonaro.

FERNANDO HADDAD

Concorrente de Bolsonaro na disputa eleitoral à presidência do ano passado após o impedimento de Lula devido à condenação proferida por Moro, Fernando Haddad compartilhou diversas matérias jornalísticas sobre o vazamento e citou a possibilidade de ser o “maior escândalo institucional da história da República”.

GLEISI HOFFMANN

Atual presidente do PT, Gleisi Hoffmann afirmou que Moro e Dallagnol “feriram a Constituição brasileira” e que o atual ministro da Justiça “se intrometeu no trabalho do Ministério Público”.

GILMAR MENDES E MARCO AURELIO MELLO

Os ministros do STF Gilmar Mendes e Marco Aurélio de Mello também se pronunciaram publicamente sobre o teor das conversas. Para Mendes, as alegações precisam ser apuradas. "O fato é muito grave. Aguardemos os desdobramentos", disse o ministro à reportagem da BBC News Brasil.

O ministro é integrante da 2ª Turma do STF, responsável por analisar um pedido de suspeição de Sérgio Moro. Em dezembro do ano passado, Mendes pediu vista para se debruçar sobre o caso.

Já Marco Aurélio Mello afirmou que as supostas mensagens colocam em xeque a imparcialidade de Moro. "Apenas coloca em dúvida, principalmente ao olhar do leigo, a equidistância do órgão julgador, que tem que ser absoluta. Agora, as consequências, eu não sei, Temos que aguardar (...) Isso (relação entre juiz e investigador) tem que ser tratado no processo, com ampla publicidade. De forma pública, com absoluta transparência", disse, ao jornal Folha de São Paulo.

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FHC

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou que a repercussão em cima da divulgação das conversas entre Moro e a força-tarefa não passa de “tempestade em copo d'água”.

"O vazamento de mensagens entre juiz e promotor da Lava-Jato mais parece tempestade em copo d'água. A menos que haja novos vazamentos mais comprometedores. Não alteram, na substância, como escreveu Celso Rocha Barros, os motivos para a condenação, apesar de revelarem comentários impróprios, dados os participantes.", escreveu FHC.

DORIA

Aliado de Bolsonaro na corrida eleitoral, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), se limitou a dizer que "é cedo para avaliar" e que "o momento é de cautela", sem precipitação de manifestações e juízos sobre a conversa.