Repique da Covid em estados-chave mina reeleição de Trump

FÁBIO TAKAHASHI E LEONARDO DIEGUES
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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um grande problema para o republicano Donald Trump desde cedo nesta corrida presidencial, os efeitos da Covid-19 parecem consolidar o favoritismo de seu oponente, Joe Biden, nos últimos dias de campanha. O vírus está tendo repique de casos em diversos estados-chave, que podem definir o vencedor da votação do próximo dia 3. A tendência nesses locais tem sido de aumento discreto, mas constante, das intenções de voto para o democrata Biden. Trump tem defendido desde o início da pandemia que a economia não pode parar por causa do vírus e que o governo não pode ser culpado pela disseminação do que ele chama de "vírus chinês". O discurso encontrou eco em parte significativa do eleitorado (sua aprovação não baixou dos 40%, segundo compilado de pesquisas). Mas dois fatos recentes jogam contra o atual presidente. Primeiro, ele próprio foi infectado, após promover reunião na Casa Branca para anunciar a escolha da juíza Amy Coney Barrett para a Suprema Corte, visto como um evento superpropagador. Para 65% dos americanos, Trump não teria se infectado se tivesse sido mais cuidadoso, segundo pesquisa da Reuters/Ipsos. Depois, o republicano chegou a tirar sarro da máscara que o rival vestiu durante o primeiro debate entre os dois, há um mês . O segundo golpe para Trump foi o repique da doença em muitos estados, nesta reta final da corrida, inclusive nos 16 considerados campos de batalha, onde a disputa é acirrada. Naquele mesmo debate, o republicano chegou a dizer que a Covid estava prestes a ser totalmente vencida no país. Mas os números traíram o presidente. Na contabilização do jornal The New York Times, nesta quinta (29), em 20 dos 50 estados os últimos sete dias foram os piores em novos casos de toda a pandemia. É difícil quantificar com exatidão o quanto a gestão da crise da pandemia por Trump joga a favor do favoritismo atual de Biden, que está com 89% de chances de vitória, estima o FiveThirtyEight. Pesquisas de opinião, porém, indicam que o republicano tem sido mal avaliado nessa questão (os EUA são o país com mais mortes e casos no mundo). Pesquisa nacional do Pew Research Center no começo deste mês mostrou que o combate à pandemia é o tema que mais divide potenciais eleitores de Trump e de Biden. Entre os inclinados ao republicano, 24% disseram que o combate ao coronavírus é um assunto muito importante para decidir seu voto. Ainda que seu eleitor típico não demonstre tanto interesse e, esse quase um quarto de apoiadores que se importam muito com o combate ao vírus podem ser fundamentais, especialmente em estados em que a disputa está equilibrada. Cruzando algumas pesquisas, aparentemente há eleitores que apoiam Trump, mas não aprovam a gestão da pandemia. Sua desaprovação neste mês está na casa dos 53%, segundo o FiveThirtyEight. Já pesquisa da Reuters/Ipsos mostrou que a desaprovação do combate ao vírus é de 57%. Aqui também podem estar alguns pontos percentuais que podem ser fundamentais para o resultado das urnas.