Reportagem foi única motivação de Moraes para ação contra empresários, diz jornal

Alexandre de Moraes, ministro do STF, foi o responsável por autorizar ação da Polícia Federal contra empresários bolsonaristas (Foto: Mateus Bonomi/Anadolu Agency via Getty Images)
Alexandre de Moraes, ministro do STF, foi o responsável por autorizar ação da Polícia Federal contra empresários bolsonaristas (Foto: Mateus Bonomi/Anadolu Agency via Getty Images)

A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, de autorizar a operação da Polícia Federal contra empresários bolsonarista pró-golpe teria sido tomada com base apenas em uma reportagem, segundo a Folha de S. Paulo.

De acordo com o jornal, Moraes não pediu nenhuma outra diligência preliminar antes de autorizar os mandados de busca e apreensão na casa dos aliados de Jair Bolsonaro (PL).

O ministro teria levado em conta as citações aos atos de 7 de setembro, convocados pelo presidente, que aparecem nas trocas de mensagens.

A ação da PF tem como alvos: Luciano Hang (Havan), José Isaac Peres (rede de shopping Multiplan), José Koury (Barra World Shopping), Afrânio Barreira (Grupo Coco Bambu), André Tissot (Grupo Serra), Meyer Nirgri (Tecnisa), Ivan Wrobel (Construtora W3) e Marco Aurélio Raimundo (Mormai).

As mensagens em tom golpistas foram reveladas inicialmente pelo portal "Metrópoles" e mostram diálogos anti-democráticos em caso de vitória de Lula, candidato que lidera as pesquisas de intenção.

Segundo a Folha, pessoas que participam da apuração entendem que, se a atuação dos empresários para organizar ou financiar atos antidemocráticos ficar comprovada, eles podem ser associados ao inquérito das milícias digitais. O pedido de ação contra os empresários está no mesmo âmbito da investigação.

De acordo com o jornal, as medidas de teor mais invasivo foram tomadas pelo entendimento de que havia necessidade de agir com rapidez.

Operação contra empresários

A Polícia Federal cumpriu na terça-feira (23) mandados de busca contra empresários bolsonaristas que em um grupo de mensagens defenderam um golpe de Estado caso o ex-presidente Lula (PT) vença Jair Bolsonaro (PL) nas eleições presidenciais marcadas para o início de outubro.

Os mandados foram cumpridos em cinco estados diferentes: São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Ceará.

Cruzamento de mensagens

A Polícia Federal está fazendo um cruzamento de informações entre mensagens trocadas entre empresários bolsonaristas que se manifestaram a favor de um golpe de Estado e outros dados obtidos em investigações em curso no Supremo Tribunal Federal, como a organização de atos de 7 de setembro em 2021 e do inquérito das milícias digitais. As informações são do portal Uol.

A decisão do ministro Alexandre de Moraes está mantida em sigilo, mas a operação foi deflagrada na última terça-feira (23) pela PF, com autorização do presidente do Tribunal Superior Eleitoral.

Segundo o Uol, a pessoas próximas, Moraes declarou que só vai retirar o sigilo da investigação quando isso não significar um risco ao trabalho da Polícia Federal.