Reportagem percorre unidades básicas de saúde do Rio e expõe falta de médicos

Na Clínica da Família Souza Marques, em Madureira, comunicado avisa sobre a mudança na administração da unidade e pede compreensão da população durante o processo

O novo coronavírus está chegando ao Rio num momento em que faltam médicos e enfermeiros para assistir a população em diversas unidades básicas de saúde. O problema começou a ser relatado tão logo acabou o carnaval. As reclamações de pacientes vinham de diferentes áreas, como Copacabana, na Zona Sul, e Complexo do Alemão, na Zona Norte. A quantidade de queixas motivou O GLOBO a realizar uma ampla apuração sobre a situação da rede de atendimento.

- Nosso plano era percorrer, em dois dias, o maior número possível de unidades básicas de saúde para saber quantas delas enfrentavam desfalques em suas equipes. Num primeiro dia, circulamos pela região central do Rio e a Zona Sul. No segundo, percorremos a Zona Norte de uma ponta à outra. O que encontramos foi uma situação de desamparo à população - afirma o repórter Rafael Galdo, que visitou as unidades de saúde acompanhado pelo fotógrafo Hermes de Paula.

Em seis das 18 unidades visitadas, não havia um médico sequer. Grande parte desse problema é derivada de uma mudança administrativa. No início deste ano, a prefeitura decidiu que a Empresa Pública de Saúde do Rio (RioSaúde) assumiria as 75 clínicas da família e centros municipais geridos, até então, pela organização social (OS) Viva Rio. Porém, na hora da mudança, marcada para 21 de fevereiro, o município não tinha contratado o número de médicos e enfermeiros para manter os atendimentos à população.

Baseando-se num mapa disponível no site da Secretaria municipal de Saúde, Galdo montou um roteiro com os endereços das unidades. Fontes como vereadores e médicos ajudaram a traçar quais eram as regiões mais afetadas. Em cada local, o repórter pedia informações sobre os atendimentos:

- Em muitas clínicas, éramos imediatamente informados de que não havia médicos e que as consultas estavam suspensas. Em vários postos, o único movimento normal era o da vacinação contra o sarampo. Nesse cenário, conversamos com pacientes e profissionais de saúde, que nos contaram detalhes do que eles têm enfrentado.