Reportagem com vítima de trabalho análogo à escravidão mostra impacto do racismo

Reportagem com mulher regastada de situação análoga à escravidão comove as redes sociais (foto: reprodução / globoplay)
Reportagem com mulher regastada de situação análoga à escravidão comove as redes sociais (foto: reprodução / globoplay)

Resumo da Notícia:

  • Madalena Silva foi resgata em 2021 após passar mais de 54 anos em situação análoga à escravidão

  • Ela era explorada em uma 'casa de família' e teve sua aposentadoria supostamente retirada pela filha do casal

  • A mulher chorou ao ser tocada pela repórter porque a profissional é uma mulher branca

Uma reportagem da TV Bahia, afiliada da Globo no estado do Nordeste, viralizou nas redes sociais nesta quinta-feira (28) por mostrar claramente os efeitos do racismo nas pessoas. A matéria entrevistava Madalena Silva, uma mulher negra que foi resgatada de um trabalho análogo à escravidão.

Durante a entrevista com a repórter Adriana Oliveira, Madalena chorou ao expressar o medo que sentia quando era convidada a tocar a profissional apenas por ela ser uma mulher branca. “Fico com receio de pegar na sua mão branca”, disse a mulher aos prantos.

Ela continuou: “Ver a sua mão branca… Pego e boto a minha em cima da sua e acho feio”. Adriana tentou mudar a percepção da entrevistada. “Sua mão é linda, sua cor é linda. Olhe para mim, aqui não tem diferença. O tom é diferente, mas você é mulher, eu sou mulher. Os mesmos direitos e o mesmo respeito que todo mundo tem comigo, tem que ter com você”, afirmou a jornalista.

Madalena Santiago da Silva, de 62 anos, foi resgatada em março de 2021 após ser explorada como doméstica por 54 anos por uma família de Lauro de Freitas, na Região Metropolitana de Salvador. Em situação análoga à escravidão, ela nunca recebeu salário, foi maltratada durante todo o tempo, a filha da família pegou mais de R$ 20 mil em empréstimos no nome dela e ainda recebeu sua aposentadoria.

Nas redes sociais, a repórter comentou a matéria: “Ainda estou impactada com o encontro com Dona Madalena. Ela foi vítima de uma violência brutal por 54 dos 62 anos de vida. E dentro de uma casa ‘de família’ foi submetida à condições análoga à escravidão. Ela foi resgatada, em março, por auditores do Ministério do Trabalho. Hoje vivi um dos momentos mais emocionantes nos 27 anos de profissão. Ainda tem muita luta.”

Viralizou

Nas redes sociais, a reportagem atravessou as pessoas de diferentes formas. “O racismo provoca dores indescritíveis. É preciso lutar contra o #racismo sempre!”, escreveu Jurema Werneck, diretora da Anistia Internacional no Brasil.

“Só quem é negro sabe o que é isso. Tiraram quase 60 anos dessa mulher por conta de RACISMO. Deus, me perdoa mesmo, mas eu desejo morte pra esse tipo de pessoa”, comentou Lazin. Veja outros posicionamentos:

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