Repórteres sem Fronteiras fazem campanha contra Bolsonaro e criticam desinformação durante a pandemia

Anita Efraim
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Imagem de divulgação da campanha mostra o presidente Jair Bolsonaro nu, coberto com uma placa com os números de mortos e contagiados pelo coronavírus (Foto: Reprodução)
Imagem de divulgação da campanha mostra o presidente Jair Bolsonaro nu, coberto com uma placa com os números de mortos e contagiados pelo coronavírus (Foto: Reprodução)

A ONG Repórteres sem Fronteiras lançou nesta segunda-feira, 22, uma campanha contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), com fortes críticas à desinformação durante a pandemia do coronavírus. Chamada “A verdade nua e crua”, a campanha mostra uma montagem com Bolsonaro nu, coberto por uma placa com o número de mortos e contagiados pela covid-19.

A iniciativa foi feita em parceria pela ONG e pela agência BETC Paris. O objetivo é reforçar a importância do jornalismo para garantir o acesso à informação confiável durante a pandemia.

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Christophe Deloire, Secretário-Geral da organização Repórteres sem Fronteiras, explica que a ideia é chocar as pessoas com a imagem, além de alertar sobre o perigo dos ataques do presidente contra a imprensa.

“Os ataques não são apenas moralmente intoleráveis, mas também perigosos para a população brasileira que se vê privada de informações vitais sobre a pandemia. O trabalho dos jornalistas é fundamental para relatar os fatos e informar as pessoas sobre a realidade da crise sanitária. Mais do que nunca, o direito à informação, intimamente ligado ao direito à saúde, deve ser defendido no Brasil”, declarou.

A ONG afirma que o trabalho da imprensa ficou ainda mais complexo depois de Jair Bolsonaro vencer as eleições, em 2018. “Insultos, difamação, estigmatização e humilhação de jornalistas passaram a ser a marca registrada do presidente do país. Sempre que informações contrárias aos seus interesses ou aos de sua administração se tornam públicas, ele não hesita em atacá-los com violência”, diz a organização em nota.

Em levantamento feito pela ONG, foram registados 580 ataques contra a imprensa só em 2020. No Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa, o Brasil ocupa a 107ª posição entre 180 países.