Representante indígena pede GLO para trazer segurança ao Vale do Javari

O procurador jurídico da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja), Eliesio Marubo, pediu nesta quinta-feira uma atuação "mais ativa" do Exército na tríplice fronteira amazônica e uma operação de GLO (Garantia da Lei da Ordem) para melhorar a segurança na região.

--- É uma proposta muito válida, porque o Estado brasileiro é muito ausente na região. A segurança é um tema sensível em Atalaia do Norte, Tabatinga e Benjamin Constant, porque as próprias polícias não têm efetivo para fazer a segurança na região. Não é só para a população indígena, mas também para a não-indígena. Viria num momento de muita necessidade --- disse Marubo, que era companheiro de trabalho do indigenista Bruno Pereira, que foi assassinado junto com o jornalista Dom Phillips no início de junho, no Vale do Javari.

Marubo ainda declarou que a ação discreta das Forças Armadas na região fronteiriza afeta soberania nacional --- O Exército se limita a trabalhar na sua logística interna. E não vemos uma ação mais efetiva deles para salvaguardar a soberania nacional --- disse ele, acrescentando que a Unvaja já detectou a presença de estrangeiros ligados ao crime organizado dentro da terra indígena.

O representante indígena fez uma severa crítica à falta de diálogo da entidade com o Poder Executivo, sobretudo com a Fundação Nacional do Índio (Funai), desde que foi confirmado o duplo-assassinato.

Marubo lembrou que teve audiências nesta semana com um grupo de senadores e deputados, com o procurador-geral da República, Augusto Aras, e com o ministro do Supremo Tribunal Federal Luís Roberto Barroso. Mas não recebeu a mesma receptividade do Poder Executivo. --- O Legislativo e o Judiciário nos procuraram, mas não tivemos nenhuma manifestação do Poder Executivo, seja da Funai, do Exército, ou de algum ministério. (...) Nós compreendemos que há preferências e preferências. Certamente, se eu fosse pastor ou um indígena ligado ao agronegócio certamente já teria tido essa conversa --- disse ele, frisando que está aberto ao diálogo.

A ideia da GLO, inclusive, foi citada por Aras na visita que ele fez a Tabatinga no último fim de semana. À entidade, o PGR teria se comprometido a ver a possibilidade da ação junto ao Ministério da Defesa.

Marubo ainda classificou a gestão atual da Funai como "inimiga" dos povos indígenas.

-- Tenho a certeza absoluta que a Funai é inimiga dos povos indígenas na medida em que restringe a utilização do território para o povo indígena. É inimiga quando persegue as pessoas que ajudam os povos indígenas -- disse ele, lembrando que o indigenista Bruno Pereira - agora morto - foi perseguido internamente pela direção do órgão. O servidor concursado foi exonerado do cargo de coordenador do setor que cuida de povos isolados e recente contato, em outubro de 2019, após a realização de uma megaopreação da Funai, Ibama e Polícia Federal que destruiu 60 balsas de garimpo ilegal no extremo oeste do Amazonas.

--- Na grande parte da sua história, a Funai foi parceira, apesar do sucateamento. Atualmente, está muito pior, além daquilo que poderíamos suportar. Tanto que estamos sendo perseguidos pela própria Funai --- acusou ele.

Após ser afastado do órgão indigenista, Bruno trabalhou para a Univaja ajudando a formar um grupo de vigilância indígena para monitorar o Vale do Javari, que concentra a maior quantidade de comunidades isoladas do país e sofre com invasões constantes de pescadores, caçadores e garimpeiros ilegais.

Antes de ser morto, o indigenista vinha treinando os indígenas a utilizarem drones e mapas para identificar a localização dos exploradores ilegais e alertarem as autoridades. Marubo anunciou hoje que manterá o trabalho do amigo morto no Vale do Javari.

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