Representantes de terreiros na região do DF denunciam truculência da PM na busca por Lázaro

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Lázaro continua foragido - Foto: Reprodução
Lázaro continua foragido - Foto: Reprodução
  • Lázaro Barbosa continua foragido na região Centro-Oeste do país

  • A Polícia Militar teria usado de truculência na busca pelo criminoso

  • Líderes de religiões africanas denunciaram a violência dos agentes

A busca por Lázaro Barbosa resultou em truculência da Polícia Militar nos terreiros da região do Distrito Federal. Foi o que denunciaram lideranças de religiões de matrizes africanas, de acordo com informações do G1.

Representantes de terreiros em Águas Lindas e Cocalzinho de Goiás informaram que policiais agiram com violência na busca pelo criminoso mais procurado do Brasil. De acordo com eles, os agentes depredaram altares e apontaram armas por suspeita de que Lázaro pudesse estar em um desses lugares.

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A truculência foi denunciada em uma ocorrência policial. As lideranças religiosas afirmara, ainda, que “as imagens dos alegados 'rituais satânicos' que estão sendo divulgadas pela mídia foram produzidas pela própria polícia durante uma invasão e quebra das portas de umas de nossas casas"

"Bateram no meu caseiro, me desacataram com palavras que eu não gostei. Tive que dizer que tenho 80 anos, eles podiam me respeitar um pouco. Eles mandaram eu calar a boca", disse o pai André de Yemanjá, do terreiro Estrada da Vida.

Tata Ngunzetala, líder afro tradicional de Águas Lindas, também denunciou as agressões. "Eu era o alvo acusado de estar dando guarida e acobertando o Lázaro, sem mandado judicial, sem acusação formal, não me deixaram falar, entraram no meu celular, no meu computador pessoal. Eu fiquei sob a mira de fuzis por mais de 30 minutos.”

No último dia 16, a Policia Civil afirmou que foram encontrados itens de bruxaria e que indicam a prática de rituais na casa de Lázaro Barbosa - Foto: Divulgação/Polícia Civil
No último dia 16, a Policia Civil afirmou que foram encontrados itens de bruxaria e que indicam a prática de rituais na casa de Lázaro Barbosa - Foto: Divulgação/Polícia Civil

O grupo ainda fez questão de esclarecer que “não tem relação com atos criminosos, e, mesmo que fossem praticados por alguma pessoa que pertencesse a uma tradição afro, não nos vincularia de maneira coletiva a atos e ações criminosas e desumanas. Estes atos devem ser sempre atribuídos pela lei à pessoa civil".

Ainda foragido

Melhor amigo de Lázaro Barbosa, conhecido como "Serial Killer do Distrito Federal", Jorcilei Rosa Sales torce para que o criminoso se entregue às autoridades policiais e acredita ser questão de tempo para isso ocorrer.

"Na hora certa, ele vai a uma delegacia. Vai se entregar sem arma na mão, sem mochila; vai de boa. O tempo de se entregar, quem manda é o cansaço. No dia em que ele estiver exausto, cansado e abatido, vai se entregar, sem precisar usar nenhuma força policial", afirmou Jorcilei em entrevista ao site Metrópoles.

Jorcilei contou, porém, que Lázaro aprendeu a ter "muita agilidade" na prisão de Brasília, onde foi preso em 2009 por roubo, estupro e porte ilegal de arma de fogo. Em 2014, teve a prisão convertida para o regime semiaberto. "Lázaro tem a força de um leão. A gente brincando, ele me ensinava golpe que aprendeu lá dentro da Papuda."

Lázaro é acusado de matar quatro pessoas, balear três, invadir chácaras, fazer reféns e atear fogo em uma casa. A PM informou que ele disparou 15 tiros contra policiais militares de Goiás em Cocalzinho.

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