Reprovação a Congresso e STF despenca em meio a crise do governo Bolsonaro, aponta Datafolha

(Foto: Getty Images)

SÃO PAULO — A reprovação da população brasileira à atuação do Congresso e do Supremo Tribunal Federal (STF) teve uma forte queda, segundo dados do Datafolha, publicados neste sábado. A mudança de opinião ocorre em meio à crise política do governo de Jair Bolsonaro.

A pesquisa indica que 32% das pessoas consideram como ruim ou péssimo o desempenho de senadores e deputados. Essa taxa era de 45% em dezembro passado. E 18% avaliam seu desempenho como ótimo ou bom, acima dos 14% identificados seis meses atrás. A avaliação como regular subiu de 38% para 47%.

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Os assalariados sem registro são o grupo que melhor aprova os parlamentares, com uma taxa de 31%. Entre as pessoas que têm ensino fundamental, 26% consideram seu trabalho ótimo ou bom. A taxa é de 24% entre quem aprova o trabalho de Bolsonaro no combate à pandemia.

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Entre empresários, a rejeição é de 47%. Entre quem tem ensino superior, de 43%. E entre quem aprova o governo Bolsonaro, a taxa é de 39%.

O levantamento foi feito entre segunda e terça-feira passadas, quando o instituto ouviu 2.069 pessoas de todo o Brasil. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para cima ou para baixo. As entrevistas precisaram ser feitas por telefone em razão das medidas de distanciamento e isolamento sociais, em razão da pandemia do novo coronavírus.

A aprovação do STF também aumentou. Hoje, 30% dos entrevistados consideram o trabalho dos ministros do Judiciário como ótimo ou bom, ante 19% em dezembro. A avaliação como ruim ou péssimo caiu de 39% para 26%. A taxa de avaliação como regular se manteve quase sem mudanças. Foi de 39% na pesquisa anterior para os atuais 40%.

As melhores avaliações dos membros do Tribunal são de pessoas que estão totalmente isoladas socialmente. Nesse grupo, a avaliação como ótimo ou bom é de 40%. Entre quem está desempregado, em busca de emprego, essa taxa é de 36%. Entre quem tem ensino fundamental, de 34%.

Do outro lado, quem ganha mais de dez salários mínimos é quem mais desaprova o desempenho do STF. São 48% entre esse grupo. A taxa é de 36% para as pessoas que aprovam o governo Bolsonaro. Entre empresários, de 40%.

Nas últimas semanas, o presidente tem participado de manifestações de apoiadores em Brasília que pedem o fechamento do STF e do Congresso. A atitude de Bolsonaro tem gerado atrito entre ministros da Corte e parlamentares, que repudiam as reivindicações antidemocráticas dos manifestantes.

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou neste sábado que o presidente Jair Bolsonaro "desorganiza e gera insegurança" ao adotar uma postura de enfrentamento aos demais Poderes da República. A declaração foi dada numa transmissão ao vivo pelo Instagram com o chefe do Departamento de Ciência Jurídicas da Uniara, Fernando Passos.

Ao ser perguntado sobre a relação entre Legislativo e Executivo, Maia disse que Bolsonaro sempre teve o mesmo perfil. Mas, de acordo com sua avaliação, o cargo de presidente da República exige outro tipo de atitude.

— Quando você chega à Presidência da República, o seu papel é considerar. Você não é o presidente apenas dos que o elegeram. Você é o presidente de todos os brasileiros. Como o presidente foi eleito com muita força, foram muito ideológicos, o pessoal de extrema-direita nas redes sociais, ele tende a ser mais comprometido com eles. E quando tem um conflito, ele acaba atacando mais na linha do que ele fazia antes. Só que, como presidente do Brasil, cada vez que ele vai para o enfrentamento, ele desorganiza e gera insegurança — disse o parlamentar.

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