Republicanos bloqueiam iniciativa democrata para reativar plano de alívio econômico dos EUA

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O Capitólio de Washington em 26 de outubro de 2020

A minoria republicana da Câmara de Representantes bloqueou nesta quinta-feira (24) uma tentativa dos democratas de emendar o plano de ajuda negociado por ambos os partidos que foi barrado pelo presidente Donald Trump, que exigiu um aumento no valor do auxílio.

Depois de meses de negociações, os democratas que controlam a câmara baixa e os republicanos que dominam o Senado chegaram esta semana a um acordo. Eles concordaram com um pacote de 900 bilhões de dólares para dar oxigênio a uma economia devastada pela crise provocada pela covid-19, que acabou com milhões de empregos.

O acordo foi alcançado em um momento chave, antes de 26 de dezembro, quando expira uma série de ajudas extraordinárias do plano estabelecido no início da pandemia, o que poderia deixar muitas famílias sem qualquer tipo de renda.

Na noite de terça-feira, Trump surpreendeu os legisladores ao rejeitar o acordo, que inclui uma ajuda extraordinária de 600 dólares para pessoas em dificuldades, exigindo o aumento para 2 mil por pessoa.

A presidente da Câmara dos Representantes, a democrata Nancy Pelosi, tentou nesta quinta aprovar por unanimidade o acréscimo no benefício, mas os republicanos bloquearam a iniciativa.

"Hoje, na véspera de Natal, os republicanos da câmara cruelmente privaram os americanos dos 2 mil dólares que o presidente concordou em apoiar", disse Pelosi.

A líder democrata apontou que, se Trump leva realmente a sério sua proposta, ele deve pedir aos republicanos que parem com a "obstrução".

Enquanto isso, os republicanos tentaram alterar a quantidade de ajuda estrangeira incluída no pacote orçamentário - outra das demandas de Trump - e a oposição respondeu barrando a iniciativa.

Diante dessa jogada, o líder da minoria republicana na câmara baixa acusou os democratas de sofrerem de problemas de "audição seletiva". Com isso, a sessão foi encerrada e a casa não se reunirá até segunda-feira, 28 de dezembro.

- Graves consequências -

Os dois partidos se enfrentam em uma eleição extraordinária na Geórgia, em 5 de janeiro, que determinará duas cadeiras do Senado e definirá quem tem o controle do Congresso.

Sem tempo de manobra, com uma economia em que as demissões se acumulam por conta do avanço descontrolado da covid-19, não está claro qual será o próximo passo do Congresso ou do Executivo. O início da próxima legislatura, em 3 de janeiro, está a poucos dias, e em menos de um mês o democrata Joe Biden chega à Casa Branca.

Cerca de 14 milhões de americanos desempregados ficarão sem seus subsídios a partir deste fim de semana, quando também termina uma moratória sobre os despejos no auge do inverno.

Os parlamentares também enfrentam a ameaça de que, se o pacote não for aprovado, o governo ficará sem financiamento na tarde da próxima segunda-feira, uma paralisação de recursos que pode forçar o governo a encerrar as atividades e colocar seus funcionários em licença sem remuneração.

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