Republicanos cancelam votação de projeto de lei de saúde, em revés para Trump

Por Dustin Volz e David Lawder
U.S. President Donald Trump reacts as he hosts a Greek Independence Day celebration at the East room of the White House in Washington, U.S. March 24, 2017. REUTERS/Carlos Barria TPX IMAGES OF THE DAY

Por Dustin Volz e David Lawder

WASHINGTON (Reuters) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sofreu um grande revés nesta sexta-feira em um Congresso controlado por seu próprio partido quando líderes republicanos cancelaram a votação de um projeto de lei para revisar o sistema de saúde dos EUA, uma importante promessa da campanha eleitoral de 2016 do presidente e seus aliados.

Líderes republicanos da Câmara dos Deputados desistiram de votar a matéria por falta de votos para aprová-la, apesar da forte pressão da Casa Branca e seus aliados no Congresso, fazendo com que fracassasse a primeira grande iniciativa legislativa de Trump desde que assumiu a Presidência em 20 de janeiro.

    Republicanos da Câmara haviam planejado uma votação sobre a medida após Trump interromper na quinta-feira negociações com republicanos que se opunham ao plano e dar um ultimato para votação nesta sexta-feira, com vitória ou derrota.

    Republicanos moderados, assim como os parlamentares mais conservadores, foram contra a legislação. A Casa Branca e líderes da Câmara não conseguiram elaborar um plano que satisfizesse moderados e conservadores, apesar da imagem de Trump como um homem que consegue fechar acordos.

    “Aprendemos muito sobre lealdade. Aprendemos muito sobre o processo de conseguir votos”, disse Trump a repórteres na Casa Branca, embora tenha buscado colocar a culpa nos democratas, que estavam unidos na oposição, mesmo que seu partido controle a Casa Branca, a Câmara dos Deputados e o Senado.

    Em meio a uma disputa caótica por votos, o presidente da Câmara dos Deputados, Paul Ryan, defensor do projeto, se encontrou com Trump na Casa Branca antes que a medida fosse retirada da pauta da Câmara após horas de debate. Ryan disse ter recomendado que a legislação fosse retirada porque não tinha votos para aprová-la, e que Trump concordou com a decisão.

“Havia coisas neste projeto de lei que eu particularmente não gosto”, acrescentou Trump, sem especificar quais seriam, mas expressou confiança na liderança de Ryan.

    “Talvez a melhor coisa que poderia ter acontecido seja exatamente o que aconteceu hoje, porque iremos terminar com um projeto de lei de saúde verdadeiramente grande no futuro, após esta bagunça conhecida como Obamacare explodir”, disse Trump.

    Os eventos desta sexta-feira colocam dúvidas sobre se Ryan consegue a aprovação de alguma importante legislação por parlamentares republicanos divididos.

“Não irei amenizar isto. Este é um dia desapontador para nós”, disse Ryan durante entrevista coletiva, acrescentando que seus colegas republicanos estão vivendo o que chamou de “dores de crescimento” da transição de um partido da oposição para um partido governista.

“Fazer coisas grandes é difícil”, acrescentou Ryan, destacando que chegou perto, mas fracassou em conseguir os 216 votos necessários para aprovação.

    Ryan disse não saber quais são os próximos passos na área de saúde, mas disse que o Obamacare tem tantos problemas que será difícil sustentá-lo.

Sem a aprovação do projeto de lei no Congresso, a maior conquista política interna do ex-presidente Barack Obama, o Obamacare, continua ativa, apesar de sete anos de promessas republicanas de derrubá-la.

Notícias de que o projeto foi retirado da pauta antes de uma votação final foram inicialmente saudadas com um pequeno alívio por investidores norte-americanos, que anteriormente nesta semana estavam agitados, expressando que uma derrota iria prejudicar outras prioridades de Trump.

Os principais índices acionários norte-americanos fecharam em direções divergentes, depois de se recuperarem das mínimas do pregão na sequência das notícias. O dólar também se fortaleceu levemente.

    Trump já viu seus planos frustrados por tribunais federais que bloquearam um decreto presidencial que barrava entrada nos EUA de pessoas de diversos países de maioria muçulmana. Alguns republicanos se preocupavam que uma derrota na lei de saúde poderia causar problemas para seu mandato como presidente.