Republicanos conquistam maioria na Câmara e EUA terão Congresso dividido

Líder republicano na Câmara dos EUA, Kevin McCarthy, ao lado de demais parlamentares do partido

Por Richard Cowan

WASHINGTON (Reuters) - Os republicanos conquistaram a maioria dos assentos na Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, mostraram projeções nesta quarta-feira, estabelecendo um cenário para dois anos de Congresso dividido, uma vez que os democratas, do partido do presidente Joe Biden, mantiveram o controle do Senado.

A vitória na Câmara dá aos republicanos o poder de colocar rédeas na agenda de Biden, assim como o de iniciar investigações politicamente prejudiciais sobre seu governo e família, embora o resultado tenha sido bem menor do que a onda que os republicanos esperavam.

A projeção final foi feita após mais de uma semana de contagem de votos, à medida que a Edison Research projetou que os republicanos haviam conquistado os 218 assentos necessários para controlar a Câmara. A vitória republicana no 27º distrito congressional da Califórnia consolidou a maioria do partido na Casa.

O atual líder republicano na Câmara, Kevin McCarthy, terá um desafio à frente, já que precisará unir sua inquieta bancada em votações importantes para decidir os orçamentos do governo e das Forças Armadas, no momento em que o ex-presidente Donald Trump lançou uma nova candidatura à Casa Branca em 2024.

A derrota retirou parte do poder de Biden em Washington, mas nesta quarta-feira ele parabenizou McCarthy e disse que trabalharia para obter resultados. "O povo americano quer que façamos as coisas por eles", disse Biden.

Os democratas contaram com um impulso eleitoral proporcionado pela rejeição a candidatos republicanos de extrema direita, muitos deles aliados de Trump, incluindo Mehmet Oz e Doug Mastriano, nas disputas pelo Senado e governo da Pensilvânia, respectivamente, e Blake Masters, na disputa ao Senado em Arizona.

Mesmo com a onda esperada pelos republicanos da Câmara nunca chegando à praia, os conservadores vão se ater à sua agenda.

Em retaliação a duas iniciativas de impeachment movidas pelos democratas contra Trump, os republicanos se preparam para investigar negociações comerciais de autoridades do governo Biden e do filho do presidente, Hunter, além do próprio Biden, no passado com a China e outros países.

Na frente internacional, os republicanos podem buscar reduzir os repasses militares e econômicos dos EUA à Ucrânia na guerra contra as forças russas.

Os Estados Unidos voltam à dinâmica de poder pré-2021 em Washington, enquanto os eleitores se dividiram em direções opostas pelas duas principais questões durante a campanha das eleições de meio de mandato.

A inflação em alta deu aos republicanos munição para atacar os democratas, que conquistaram trilhões de dólares em novos investimentos durante a pandemia de Covid-19. Com o aumento dos preços nas compras do mês, na gasolina e no aluguel, também cresceu o desejo de punir os democratas na Casa Branca e no Congresso.

Ao mesmo tempo, houve um puxão para esquerda após a decisão da Suprema Corte que encerrou o direito ao aborto em junho e enfureceu uma ampla porção de eleitores, impulsionando candidatos democratas.

As pesquisas de boca de urna da Edison Research mostraram que cerca de um terço dos eleitores disseram que a inflação era a principal de suas preocupações. Para um quarto dos eleitores, o aborto era a principal preocupação, e 61% eram contrários à reversão da decisão Roe vs. Wade da Suprema Corte.

(Reportagem de Richard Cowan e Costas Pitas)