Republicanos e democratas se dividem sobre morte de Soleimani

(Arquivo) O ex-vice-presidente americano Joe Biden

Longe de provocar união, o assassinato do general iraniano Qasem Soleimani, morto em Bagdá por ordem de Donald Trump, dividiu profundamente o Congresso americano nesta sexta-feira (3).

A oposição democrata criticou com veemência a decisão do presidente de ordenar este ataque sem a aprovação do Congresso, apesar de um senador republicano próximo a Trump ter sido informado de antemão.

Ao contrário, os líderes republicanos elogiaram a operação que matou Soleimani, um emissário de Teerã em assuntos iraquianos, assim como outro líder pró-iraniano no Iraque.

"O presidente Trump acaba de jogar um cartucho de dinamite em um barril de pólvora e deve uma explicação ao povo americano", reagiu o ex-vice-presidente Joe Biden, favorito nas pesquisas das primárias democratas para enfrentar Trump nas eleições presidenciais de novembro.

A presidente da Câmara de Representantes, Nancy Pelosi, assegurou por sua vez que a morte de Soleimani ameaça provocar "uma perigosa escalada de violência".

"Os Estados Unidos - e o mundo - não podem se permitir que as tensões aumentem até limites irreversíveis", disse em um comunicado a líder democrata.

Ao contrário, os legisladores republicanos saudaram a decisão.

"Uau, o preço de matar e ferir americanos subiu drasticamente", escreveu no Twitter o senador Lindsay Graham, um aliado do presidente, em alusão à morte no Iraque de um cidadão americano em 27 de dezembro, em um ataque com foguetes atribuído por Washington a forças pró-iranianas.

"Em um ação de resolução e força, golpeamos o líder daqueles que atacam nossos territórios soberanos dos Estados Unidos", disse o líder dos republicanos na Câmara baixa, Kevin McCarthy.

O ataque voltou a expor a polarização no âmbito do Congresso americano.

O líder da maioria republicana no Senado, Mitch McConnell, qualificou Soleimani de um "cérebro terrorista".

McConnell anunciou que a Casa Branca espera poder organizar uma sessão informativa para todos os senadores "no começo da semana que vem".

Soleimani morreu nesta sexta-feira em um bombardeio americano em Bagdá, que também custou a vida de Abu Mehdi al Muhandis, cidadão iraquiano-iraniano, e número dois das Forças de Mobilização Popular ou Hashd al Shaabi, uma coalizão de paramilitares majoritariamente pró-iranianos integrados no Estado iraquiano.